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Servidores
vão ter três planos para se aposentar
18/10/2011
BRASÍLIA - O governo federal vai insistir na criação
de um fundo único de previdência complementar para
os servidores públicos, mas deverá permitir a existência
de, pelo menos, três planos diferenciados para atender
o Judiciário, Executivo e Legislativo. Essa foi a estratégia
escolhida pelo Planalto para neutralizar as resistências,
tanto do Judiciário quanto dos parlamentares petistas
e aliados, que defendem a formação de vários
fundos. O objetivo do governo é aprovar o projeto de lei
ainda este ano.
A avaliação da equipe da presidente Dilma Rousseff é de
que o fundo de previdência complementar e a definição
de um teto de aposentadoria servirão para interromper
o crescimento desenfreado do rombo da previdência do servidor
público da União, tornando o regime sustentável
no longo prazo.
Somente no ano passado, o déficit da previdência
social dos servidores públicos somou R$ 52 bilhões
para atender a 950 mil funcionários. A expectativa é de
que chegue a R$ 57 bilhões no fim deste ano. Já o
rombo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi de R$
42 bilhões em 2010 para beneficiar 23 milhões de
aposentados e pensionistas. Para 2011,o saldo negativo deve variar
entre R$ 34 bilhões e R$ 39 bilhões.
Uma das pressões para as contas públicas é que,
pelas regras atuais, o funcionário da administração
pública não tem teto para aposentadoria.
Com a aprovação do projeto de lei, seria fixado
o mesmo teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), de
R$ 3.691,74, para o servidor. A partir desse valor, o trabalhador,
que passar no concurso depois da aprovação do projeto,
terá de fazer uma contribuição adicional. "No
curto prazo, as despesas vão aumentar porque o Estado
vai aportar recursos para pagar os atuais aposentados e pensionistas
e pagar a contribuição (7,5% do salário
total) do novo servidor. Mas depois de 10 anos, o gasto começa
a reduzir", afirmou uma fonte do governo ligada às
negociações.
O economista Marcelo Caetano, especialista em previdência
social, concorda com a ideia do governo de manter a proposta
de se ter um fundo único de previdência para reduzir
custos administrativos. Ele sugere, no entanto, que a criação
de planos não esteja ligado à setores ou categorias,
o que poderia acarretar uma enxurrada de pedidos por planos específicos.
Caetano explicou que a existência de vários planos
deve ter como objetivo dar opções de investimento
para o servidor.
Para ter uma maior representatividade do Judiciário, Executivo
e Legislativo na gestão dos recursos do fundo, o governo
pensa ainda em permitir a formação de comitês
gestores, que teriam três representantes dos servidores. "Não
teria poder de decidir. Seria um órgão fiscalizador",
frisou a fonte.
Terceirização. Outro ponto polêmico do projeto é a
obrigatoriedade de que o fundo seja administrado por uma empresa
privada. Isso deverá ser retirado do texto. Os partidos
aliados e o PT não aceitam a terceirização.
A avaliação de alguns parlamentares e de uma parte
do governo é de que a medida poderia retirar a liberdade
de investimento em alguns projetos considerados importantes para
o País.
Além disso, para se investir em títulos públicos,
por exemplo, não seria necessário um administrador
terceirizado para tomar a decisão. A terceirização
custaria caro para o fundo. Para Caetano, a alteração é positiva
pois impede o engessamento na gestão do fundo.
O projeto de lei que trata da criação do fundo
para os servidores públicos estava parado desde 2007 na
Câmara dos Deputados e era um dos principais pontos da
reforma feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Edna
Simão
O Estado de S. Paulo
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