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Servidores em crise
11/10/2011
Outubro é um mês rico em efemérides: Dia
da Criança, Dia do Professor, Dia do Funcionário
Público, e em épocas outras, era também
comemorado o Descobrimento da América, pelo genovês
Cristóvão Colombo, coincidentemente no mesmo dia
alusivo à criança. No caso dos funcionários
públicos federais, por exemplo, não há muito
motivo para comemoração. Isto pelo fato de não
poderem se aposentar, pois se o fizerem perdem 50 por cento da
remuneração auferida. O Diário do Nordeste,
edição de 2 transato, estampa: "Servidores
adiam aposentadoria: 80 mil funcionários do Executivo
federal, de um total de 566 mil servidores ativos, estão
em condições de pedir aposentadoria". E mais
adiante esclarece: "Desses 80 mil são funcionários
que poderiam estar aposentados. Ao se aposentar, o servidor perde
renda, já que a gratificação por desempenho
adquirida ao longo dos anos é reduzida em 50%".
Não é preciso dizer mais sobre o drama experimentado
por milhares de servidores federais, principalmente aqueles às
vésperas de atingir a compulsória, ou seja, os
70 anos previstos na Constituição para permanência
no serviço ativo. É preciso o governo federal olhar
para o seu funcionalismo, sujeito a um novo tipo de escravização,
representada por gratificações percebidas apenas
em razão do exercício do cargo, não se incorporando à remuneração
quando da aposentadoria do servidor. Igual maldade ocorre quanto à dispensa
ou menor percentual de desconto do Imposto de Renda para os servidores
optantes por continuarem em atividade, embora contem tempo para
aposentadoria.
Tão logo se aposentam, premidos inclusive pela compulsória,
sofrem no bolso - a parte mais sensível do corpo - as
perdas das vantagens então percebidas, inclusive quanto
ao IR. Diante de quadro tão injusto, é hora de
o chamado "governo dos trabalhadores" olhar para a
classe dos servidores públicos federais, sujeitos a tal
regime desumano de remuneração. Quanto ao Dia da
Criança e do Professor estão aí os desafios
a vencer, enquanto a América se estiola em crise.
Eduardo Fontes - jornalista
Diário do Nordeste
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