Fique
bem-informado
Servidor
público
Peça fundamental para uma boa administração
e para as práticas das políticas públicas,
o serviço público é uma das mais importantes
tarefas de uma nação. Acessíveis a todos
os brasileiros, os cargos públicos são criados
por lei, com denominação própria e vencimento
pago pelos cofres públicos, para provimento em caráter
efetivo ou em comissão. Assim está grafado no parágrafo único
do artigo 3º, capítulo único, das disposições
preliminares, título I, da Lei nº 8.112, de 11 de
dezembro de 1990, determinada pelo artigo 13 da Lei nº 9.527,
de 10 de dezembro de 1997.
Sem desejar empreender digressões pitorescas sobre o
papel desempenhado pelos funcionários egípcios,
sumérios, assírios, babilônicos e de outros
povos, é interessante identificar em todas as civilizações
a importância do tratamento dado aos que exerciam funções
de governo, desde os cargos desempenhados pelos escribas até os
que cuidavam dos sinetes do príncipe. Nenhum povo, desde
os primórdios, deixou de, por formas diversas, respeitar
aqueles que se dedicavam à função pública,
ora por reverência, reconhecimento ou gratidão,
ora por interesse pessoal ou mero temor.
A realidade nos dá conta de que o homem se investiu de
função pública pela própria e natural
necessidade de fazer frente aos empreendimentos que trouxeram
e trazem à tona a realização dos desejos
e anseios coletivos da própria sociedade. Portanto, o
servidor público é dotado de ingredientes que permeiam
diferentes interesses populares. Em todos os inúmeros
meandros do serviço público, assim como em qualquer
atividade humana, há os bons e os maus, os que cumprem
e os que não cumprem o seu dever. É de justiça
que os bons e verdadeiros servidores públicos sejam respeitados,
valendo o apelo para que sempre façam o melhor pelo serviço
público e o exerçam com orgulho. Quando os bons
desistem, o mal triunfa. O bem precisa vencer neste país
e os servidores públicos certamente têm papel decisivo
nessa merecida conquista.
A sua profissionalização, a partir de 1930, permitiu
garantir as tarefas públicas, com todas as limitações
burocráticas e as consequências das mazelas político-econômicas
em que o país se envolveu. Por outro lado, estudos históricos
mostram que, desde a Independência do Brasil até 1956,
o governo pouco inovou em matéria de estrutura do Executivo.
A última reforma introduziu a administração
gerencial, embora haja infinitas tentativas de extrair direitos
constitucionais adquiridos.
O servidor público é aquela pessoa que se compromete
ao tomar posse a cumprir os deveres que a lei lhe impõe
e a ser leal a um código de conduta muito rigoroso em
função de Estado. Assume o servidor o dever de
fidelidade a regras cidadãs de devoção ao
país, ao bem comum e ao interesse coletivo. Desde 1990,
com o surgimento do novo Estatuto dos Servidores Públicos
Civis da União, das autarquias e das fundações
públicas federais Lei nº 8.112 , a denominação
de funcionário foi substituída pela de servidor.
Eles têm seus deveres e direitos definidos e estabelecidos
na Constituição da República e se encontram
nos estatutos das entidades estatais e autárquicas.
Para o consultor organizacional Francisco Campos, flexibilidade,
percepção aguçada, foco nos resultados e
orientação voltada para o cliente são as
principais virtudes do novo servidor público, com destaque
para a ética pessoal nas relações de trabalho,
seja com o público interno ou externo, sendo fundamental
que a instituição valide as ações
de seus servidores para que estes possam enfrentar desafios com
motivação e orgulho. Por outro lado, os servidores
precisam enaltecer o espírito público de sua atividade,
assumindo a responsabilidade de cuidar da instituição
da qual fazem parte, já que hoje já não
existe mais espaço para o antigo conceito de funcionário
público, que foi substituído pelo moderno servidor
público, pois todos nós, líderes e liderados,
nascemos para servir uns aos outros.
Concluindo, como atrair para o serviço público
cidadãos que pensem em primeiro lugar no bem de todos?
Como manter e estimular os que no serviço público
se sacrificam pelo bem de todos? Como evitar a evasão
desses abnegados brasileiros? Como retribuir, com base no merecimento
e não em critérios casuísticos, os que se
dedicam à função pública? Esse já não
deve ser um desafio restrito a governantes, mas a todos os cidadãos
de bem. Que se discuta com cuidado esse assunto na mídia,
nas igrejas, nas universidades, em toda parte. Silenciar sobre
tal assunto é ficar à margem de uma questão
que merece exame de consciência nacional.
Autor(es): Augusto Bernardo Sampaio Cecílio
Correio Braziliense - 01/11/2010
Augusto Bernardo Sampaio Cecílio é auditor fiscal
da Secretaria da Fazenda e coordenador do Programa de Educação
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