Fique
bem-informado
Servidor conhecido por bloquear reajustes
tem o maior salário
da Esplanada
12/01/2012
Ele realmente é o homem do dinheiro. Segundo na hierarquia
do Tesouro Nacional, o subsecretário de Política
Fiscal, Marcus Pereira Aucélio, é mais conhecido
como a autoridade que de fato diz não aos pedidos de recursos
de parlamentares e até de ministros para todo tipo de
despesa, incluindo reajustes salariais para servidores públicos.
Tão potente quanto o poder da sua canetada é o
tamanho do seu contracheque. Engenheiro florestal e analista
de controle do Tesouro Nacional de carreira, Aucélio embolsa
por mês R$ 51 mil por causa do cargo, quase o dobro do
teto do funcionalismo previsto na Constituição,
atualmente de R$ 26.723,13.
É bem mais que os salários recebidos por ministros,
que abocanham remunerações de até R$ 45,7
mil, conforme mostrou o Correio no domingo. O contracheque é inflado
por jetons, recebidos pela participação em conselhos
de estatais e de empresas privadas com capital da União.
O salário do subsecretário do Tesouro é de
R$ 23,7 mil, mas ele ganha mais R$ 27,3 mil de dois conselhos — da
Petrobras e da AES Eletropaulo — e do Comitê de Auditoria
do Banco de Brasília (BRB). Mas seus vencimentos podem
chegar a R$ 70 mil num mês. Basta que ele participe de
uma reunião mensal do Conselho Fiscal da Vale, do qual é suplente,
caso o titular não possa comparecer.
Participações
Decreto presidencial determina que os representantes da União
nessas companhias só podem receber por, no máximo,
dois conselhos. Procurado, o Ministério da Fazenda se
negou a informar quais entidades o subsecretário do Tesouro
integra e a base legal para que ele embolse jetons de três
delas. Da AES Eletropaulo, em que a União tem uma participação
minoritária, o segundo homem do Tesouro ganha R$ 3,8 mil
brutos por mês. Pela participação no Conselho
Fiscal da petrolífera, embolsa outros R$ 7.090. O que
lhe rende mais, no entanto, é o trabalho na auditoria
do BRB, R$ 16.405,78 brutos.
Embora também receba um megassalário,
o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ganha um pouco menos que
Aucélio, seu subordinado. A participação
nos conselhos da BR Distribuidora e da Petrobras elevou os rendimentos
de Mantega de R$ 26,7 mil para R$ 40,9 mil. O mesmo ocorreu com
sua colega do Planejamento, Miriam Belchior. O advogado-geral
da União, Luís Inácio Adams, embolsa, no
total, R$ 38,7 mil. Ele engorda o salário de R$ 26,7 mil
de ministro em mais R$ 12 mil ao participar da administração
das empresas privadas Brasilprev e Brasilcap. Celso Amorim, da
Defesa, é agraciado com R$ 45,7 mil, com o conselho da
Itaipu. O secretário executivo da Fazenda, Nelson Barbosa,
abocanha R$ 41,1 mil brutos mensais.
Ana D'Angelo - Correio Braziliense
Cristiane Bonfanti
Publicação: 10/01/2012
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