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Senado
derruba empresa pública dos hospitais universitários 02/06/2011
Oposição estende a sessão deliberativa
até a madrugada desta quinta-feira e as duas MPs 520
e 521 perdem a validade
A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH)
era a aposta do governo federal para resolver a situação
precária dos 46 hospitais universitários do Brasil.
Quase todos eles têm problemas de financiamento e trabalham
com 26 mil funcionários – incluindo médicos
e enfermeiros – em situação irregular. Porém,
a criação da empresa foi derrubada na madrugada
desta quinta no Senado.
A oposição conseguiu que a MP 520, que criava a
EBSERH, não fosse votada e perdesse sua validade. A proposta
já fora aprovada na Câmara, mas agora terá que
ser reeditada e enviada novamente para análise dos parlamentares.
A MP visava, entre outros pontos, atender o Acórdão
1520/2006 do Tribunal de Contas da União (TCU). Em 2008,
relatório do tribunal cobra uma série de medidas
gerenciais, entre elas, a substituição de todos
os funcionários precarizados e a criação
de indicadores de avaliação de gestão, atenção à saúde,
ensino e pesquisa.
A EBSERH seria responsável por manter o atendimento nos
hospitais universitários, contratar pessoal pela CLT,
implantar sistema único de gestão e apoiar atividades
de ensino e pesquisa, tal como uma fundação.
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse que a derrubada
das MPs é um recado ao governo. "Na violência,
na truculência e no desrespeito às regras regimentais,
todos perdem, e mesmo com a utilização do rolo
compressor, nem sempre é possível o governo ganhar",
afimou à Agência Senado.
POLÊMICA – O governo federal dava como certa a aprovação
da MP 520. Em diversas ocasiões, o ministro da Educação
Fernando Haddad manifestou esta convicção. Na manhã desta
quinta-feira, o secretario de Ensino superior do Ministério
da Educação, Luis Cláudio Costa, afirmou
hoje ainda avalia o invalidação da MP pelo Senado. “Ainda
estamos avaliando a extensão da situação
para nos manifestar-mos sobre o assunto.
Segundo o relator da MP 520 na Câmara dos Deputados, Danilo
Forte, o governo pode reeditar o documento por meio de projeto
de lei em regime de urgência. Fonte considera que a discussão
sobre a matéria deve ter a participação
das universidades federais.
- As universidades precisam apresentar uma solução
para um problema que é delas. Os gestores necessitam entrar
neste debate, oferecendo respostas e serem protagonistas desta
discussão.
O vice-reitor da Universidade de Brasília, João
Batista, afirma que o posicionamento das universidades sobre
a MP 520 foi tomado no fórum adequado, na Associação
Nacional das Instituições Federais de Ensino Superior
(Andifes).
- Os reitores decidiram não se posicionar sobre este
assunto, não discutir esta matéria. Com a decisão
ocorrida no Senado, voltamos à mesma situação,
porque a questão sobre financiamento e pessoal continua
aberta.
O assessor parlamentar da UnB, Júlio Araújo, explicou
que as MPs 520 e 521 não podem mais ser votadas na atual
legislatura, mas indicou que o governo poderia inserir uma emenda
em outra medida provisória de modo a aprovar esses dois
assuntos. Araújo considera que as universidades têm
pouco poder de intervenção no encaminhamento das
MPs, sobretudo no que diz respeito à 520.
- As universidades estão divididas sobre este tema. Caso
houvesse um consenso, poderiam fazer um movimento e pedir à oposição
a aprovação dessa medida. Tal como estamos, somos
um pólo menor nesta discussão.
EUFORIA – No meio sindical, em uma semana, os sindicalistas
foram do desânimo à euforia. Rolando Malvásio
Júnior, coordenador geral da Federação dos
Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas
Brasileiras (Fasubra), considera positiva a derrubada da MP 520. “Hoje é um
dia para não ser esquecido por nenhum de nós, pois
lavamos a nossa alma”, disse.
Na última quinta-feira, o mesmo dirigente afirmara que
a aprovação da MP 520 na Câmara dos Deputados
havia sido um duro golpe no serviço público. “Foi
a segunda ou terceira maior derrota dos movimentos sociais na última
década ocorrida pelas mãos de um governo que dizia
ser oriundo das classes trabalhadoras, mas que está claramente
a serviço do grande capital.
A MP 520 foi alvo de discussões no Ministério
Público Federal e Tribunal de Contas da União,
que se posicionaram contra a matéria em evento realizado
em abril, na Procuradoria Geral da República. Na semana
passada, o Partido da Social Democracia Brasileiro (PSDB) entrou
com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn)
no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o documento,
o partido acredita que o objetivo da medida era “permitir
que a contratação de pessoal para os hospitais
universitários escape à obrigatoriedade do concurso
público”.
Fonte: UnB Agência |