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bem-informado
Relator
do PLP 549 propõe rejeição
do projeto que congela salários por 10 anos
22/09/2011
Relator do projeto de lei complementar (PLP) 549/09 na Comissão
de Tributação e Finanças, o deputado Pepe
Vargas, tornou público, na última sexta-feira,
16, relatório (veja aqui) em que dá parecer contrário
a aprovação da proposta que limita investimentos
públicos pelos próximos dez anos. De autoria do
Senado Federal, o PLP 549/09 estabelece limites rígidos
para despesas com pessoal e encargos sociais da União.
O projeto limita ainda obras, instalações e investimentos
ligados a melhorias da administração pública.
O relatório de Pepe acompanha a avaliação
feita pela Comissão de Trabalho, Administração
e Serviço Público na Câmara dos Deputados
que, em maio de 2010, votou por unanimidade pela rejeição
do PLP 549/09. Uma das críticas ao PLP diz respeito ao
mérito do projeto. A administração pública
já conta com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), criada
justamente para controlar “gastos” públicos.
Pela lei, a União deve utilizar até 50% da Receita
Corrente Líquida (RCL) com despesas de pessoal e encargos
sociais. Este limite nunca foi ultrapassado, ao contrário,
ao longo dos anos diminuiu. Em 2000, o percentual da LRF foi
de 40,1%, enquanto em 2010, que já considera a proposta
orçamentária para 2011, fechou em 35,5%. A LRF
também estabelece limites para Estados (60%) e Municípios
(60%). O relator aponta que o PLP 549/09, no entanto, impõe
novos limites apenas para a União. Vargas ainda acrescenta
que os números de gestão fiscal da União
mostram que o nível de comprometimento da receita corrente
líquida com as despesas com pessoal e encargos encontra-se
bem abaixo dos limites previstos na LRF.
Desafios e críticas – O relatório do deputado
aponta que se por um lado é fácil concluir e reconhecer
que as despesas com pessoal exigem acompanhamento e controle,
por outro, é preciso encarar o desafio de encontrar fórmulas
eficazes e justas para gerenciar corretamente esses limites.
Pepe Vargas destaca que mesmo se as despesas com pessoal e encargos
fossem elevadas a 50% da RCL, seria necessário paralisar
obras e investimentos públicos da União, no âmbito
do orçamento fiscal e da seguridade social, além
de parte expressiva do custeio dos seus órgãos.
O relatório também aponta críticas com relação
ao critério do PLP 549/09 de restringir investimentos
públicos a 2,5% ou a taxa de crescimento do PIB - o que
for menor. A regra, segundo o relatório, faz com que,
no caso de se verificarem taxas de crescimento no país
superiores a 2,5%, a despesa total com pessoal, em relação
ao PIB, seja gradualmente reduzida. Para o relator, a mudança
da base de cálculo dos limites (de receita corrente líquida
para o PIB) pode trazer distorções.
Em outro trecho, o relatório destaca que o PLP 549/09
não considera o fato de que, em determinados períodos,
pode haver uma grande necessidade de reposição
de servidores por aposentadoria ou outro evento. Destaca que
o período de vigência do projeto (10 anos) é extremamente
longo com risco da medida se revelar inadequada às reais
necessidades de gestão de recursos humanos ou do próprio
controle de gastos. Critica também o fato de se o crescimento
do PIB for pequeno, o limite de investimento público ficará comprometido
praticamente com o crescimento vegetativo da folha de pagamento,
dificultando ganhos reais de categorias que hoje se encontram
defasadas.
Pressão e mobilização contra PLP 549/09 – A
Condsef espera que o PLP receba rejeição unânime
também na Comissão de Tributação
e Finanças da Câmara. O projeto ainda passa por
outras comissões antes de seguir para votação
em Plenário no Congresso Nacional. Em conjunto com suas
filiadas, a Condsef vai continuar pressionando e buscando apoio
de parlamentares pela derrubada desta proposta. O PLP 549/09
vai de encontro às necessidades reais da população
brasileira que paga a maior taxa de impostos do mundo e tem direito
a utilização adequada desses recursos com a garantia
de serviços públicos de qualidade.
Condsef
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