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Rejeitada
dispensa de SPC para servidor comprar imóvel 17/05/2011
A certidão negativa de serviços de proteção
ao crédito (SPC) poderá continuar a ser requerida
nos contratos de consignação de prestação
de imóvel em folha salarial de servidor público.
Projeto que dispensa essa exigência recebeu nesta terça-feira
(17) parecer pela rejeição na Comissão de
Assuntos Econômicos (CAE), mas a decisão terminativa
sobre a proposta depende da Comissão de Meio Ambiente,
Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle
(CMA).
O relator, senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), manifestou-se
favoravelmente ao PLS 527/07, mas a senadora Gleisi Hoffmann
(PT-PR) apresentou voto em separado pela rejeição.
Os argumentos da parlamentar - que apontou riscos ao equilíbrio
do sistema e de aumento dos spreads, em prejuízo dos demais
consumidores - convenceram a maioria dos participantes da reunião.
Liberalidade
Cristovam Buarque (PDT-DF) alertou para as consequências
de um "excesso de liberalidade" com o endividamento
dos consumidores no país. Segundo ele, uma dívida
hoje equivale a uma redução de consumo amanhã,
com prejuízo social e financeiro para as famílias.
Armando Monteiro(PTB-PE) disse que o endividamento da pessoa
física merece uma discussão mais ampla. Ele notou
que o fato de o Brasil ter os juros mais altos do mundo, inclusive
no crédito consignado - "em que o consumidor paga
taxa real de 20% ao ano" -, aumenta os riscos do endividamento
para as famílias.
Comprometimento
Casildo Maldaner (PMDB-SC) disse conhecer pessoas que comprometeram
até 80% de seus salários com crédito consignado
e prestação de automóveis. O parlamentar
advertiu que os custos financeiros desse endividamento causam
enorme impacto nos orçamentos familiares.
Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) criticou a possibilidade
de privilégio para o servidor público e disse que "duas
coisas avançam perigosamente no país": o endividamento
e a obesidade. Para ele, é preciso criar medidas que desestimulem
essas tendências.
Mesmo com as explicações de Inácio Arruda
de que o projeto não acaba com o crédito consignado,
mas apenas dispensa uma exigência burocrática em
benefício do servidor público, a maioria dos integrantes
da comissão aprovou o voto de Gleisi Hoffmann.
Agência Senado
Opinião da AGASAI
Desde 2009, quando foi aberto linhas especias de crédito
para os funcionários federais adquirir a tão sonhada
casa própria impulsionada pelos planos habitacionais do
Governo, como o “minha casa, minha vida”, os servidores
vivem um dilema muito peculiar. Muitos estão com seus
nomes em orgãos de restrição de crédito,
como SPC e SERASA, obviamente por não conseguirem saldar
dívidas e compromissos assumidos, principalmente, com
bancos e financeiras que cobram juros abusivos e fabricam lucros
estratosféricos. Estes servidores não conseguem
o financiamento da casa e a obrigatoriedade da consulta ou não
aos órgãos de restrição ao crédito
sempre foi polêmica. Em defesa dos servidores há o
argumento de que as parcelas do financiamento são debitadas
diretamente no contracheque dos funcionários tornando
a inadimplência praticamente nula e dando grande margem
de segurança para as administradoras dos financiamentos,
por outro lado a matéria foi examinada no Congresso e
deputados e senadores que são favoráveis a consulta
dizem que não pode ser dado tratamento diferenciado aos
servidores federais, quando comparados a população
em geral que busca o financiamento. A AGASAI não concorda
com a consulta por entender que não há nenhum privilégio
aos servidores, muito pelo contrário. No momento que o
servidor acata a regra que as parcelas serão descontadas
diretamente no seu salário ele praticamente garante o
pagamento do financiamento e ainda obedece todos os trâmites,
que exigem que ele tenha margem consignável e renda compatível
com o valor do financiamento. Portanto a continuidade da consulta
ao SPC, além de barrar o sonho da casa própria
para potenciais candidatos ao financiamento, impede que mais
pessoas contribuam com o crescimento do mercado da construção
civil que gera renda e emprego em todo país. |