Fique
bem-informado
Planalto quer votar
este ano previdência
do servidor
22/11/2011
Projeto passou a trancar pauta da Câmara, que teme que
ele afete aprovação da DRU e do Orçamento
de 2012
O Palácio do Planalto quer a votação
na Câmara, ainda este ano, do polêmico projeto que
cria o Fundo de Previdência Complementar do Servidor Público
da União (Funpresp), com o objetivo de reduzir, a médio
e longo prazos, o déficit do regime próprio de
previdência do funcionalismo, que já supera o do
INSS. O projeto passou a trancar a pauta de votações
do plenário da Câmara, juntamente com outras quatro
medidas provisórias (MPs). Mas os líderes governistas
na Câmara e até o presidente da Casa, deputado Marco
Maia (PT-RS), acreditam que a votação deve ficar
para 2012, para não contaminar a aprovação
da chamada DRU e do Orçamento da União para o ano
que vem.
Ontem, em reunião no Planalto, ministros envolvidos na
discussão do projeto foram informados da posição
da presidente Dilma Rousseff, mas nenhum parlamentar participou
do encontro - eles têm alertado sobre o risco de a votação
do fundo, neste momento, prejudicar a DRU.
Sobre o mérito do projeto, segundo participantes da reunião
palaciana, o governo admite mudanças para agradar ao PT
e ao Judiciário. Será mantida a criação
de um único fundo, mas cada Poder - Executivo, Legislativo
e Judiciário - teria plano diferenciado. Isso pode atender
parte da demanda do Judiciário, que defende um fundo próprio
para cada Poder.
O governo decidiu, porém, manter em 7,5% a alíquota
máxima de contribuição dos servidores para
o fundo, e não admite a possibilidade de a contribuição
da União (o patrão dos servidores) ser maior, como
defende o PT. Mas poderá incorporar a ideia de que o fundo
seja gerido por uma empresa pública, e não por
uma empresa privada, outra reivindicação dos petistas.
O projeto cria o Fundo de Previdência Complementar para
os Servidores Públicos da União e estabelece que
os novos servidores terão aposentadoria garantida até o
teto do INSS, hoje em R$3,6 mil. Hoje, servidores ativos e inativos
contribuem com alíquota de 11% para seu sistema de seguridade
social. A nova regra estabelece que eles continuarão contribuindo
com 11% até o teto do INSS. Para receber um benefício
acima disso, terão que contribuir para um fundo - nos
moldes dos fundos já existentes para a iniciativa privada
-, escolhendo alíquotas de adesão de até 7,5%.
Dilma havia pedido urgência constitucional em outubro
Ontem, o encontro no Planalto reuniu os ministros da Previdência,
Garibaldi Alves; da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; e de Relações
Institucionais, Ideli Salvatti. Ao longo desta semana, a orientação é tentar
fechar acordos com o PT e os servidores envolvidos, em especial
com o Poder Judiciário, para possibilitar uma votação
mais tranquila da proposta na Câmara.
Enquanto não houver um consenso mínimo, o projeto
ficará na pauta, sem votação. A proposta
chegou direto ao plenário devido à urgência
constitucional pedida pela presidente Dilma Rousseff, no início
de outubro.
Mas a ordem dos deputados é não votar medidas
provisórias
ou o projeto do fundo, por enquanto, para que não sejam
enviados ao Senado, onde a prioridade é a aprovação
da DRU.
Cristiane Jungblut
O Globo
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