Fique
bem-informado
Pensão
de servidor no alvo 28/04/2011
Distorções em benefícios no setor público
levam o governo a estudar mudança de regras em tetos e
prazos de concessão
A mudança de regras para o acesso à pensão,
em estudo pela Previdência Social, vai atingir os servidores
públicos. O ministro da Previdência Social, Garibaldi
Alves, disse ontem que a falta de parâmetros para o recebimento
da pensão por morte poderá causar problemas maiores
para a Previdência Social no futuro. “Há uma
frouxidão total. Não existem parâmetros,
critérios ou mesmo carência. Quando comparamos essa
realidade com a de outros países, constatamos que não
existe nem mesmo a comprovação de que aquela pessoa
que está recebendo o benefício necessita dele”,
observou.
De acordo com Garibaldi, no setor público existem distorções
gritantes. Uma delas, exemplificou o ministro, é a de
um procurador casado com uma procuradora. Se um deles morre,
o outro herda a pensão integral quando, claramente, não
existe nesse caso a dependência econômica.
O ministro não se comprometeu com prazo para o envio de
um projeto de lei ao Congresso sobre o assunto. “Primeiro,
vamos consolidar os números e apresentar as alternativas
para a Presidência da República”, ponderou.
Entre as distorções que estão na mira da
Previdência Social está o prazo de carência
para a concessão do benefício, hoje inexistente,
além da limitação da pensão a um
determinado prazo ou teto, no caso do acesso ao benefício
por parte de um companheiro/companheira muito jovem. “É o
efeito viagra”, brincou Garibaldi, referindo-se ao casamento
intergeracional.
Técnicos do setor apontam como uma boa alternativa para
moralizar a situação a necessidade de comprovação
da dependência econômica da pensionista. No caso
de o beneficiário contar um benefício próprio,
a alternativa poderia ser a opção pela aposentadoria
ou pensão, a que for maior.
Só os novos
Para tranquilizar os atuais beneficiários, tanto do setor
privado quanto do público, Garibaldi ressaltou que, uma
vez aprovada a modificação legal, ela só valerá para
os benefícios que forem concedidos a partir de então. “Não
vamos ferir o direito adquirido”, garantiu. As pensões,
no entanto, não são o único foco da Previdência
Social. “Os problemas financeiros não se limitam
a esse”, observou Garibaldi. Ele disse que, antes de avançar
sobre as pensões, o governo quer ver
aprovado o projeto, em tramitação na Câmara
dos Deputados, que trata de criar a previdência complementar
do setor público.
Outro desafio, na avaliação de Garibaldi, é o
combate cotidiano às fraudes e a cobrança da dívida
ativa. Ontem, a Força Tarefa Previdenciária desbaratou,
no Rio de Janeiro, uma quadrilha que pode ter causado, entre
1983 e 1994, um prejuízo de mais de R$ 120 milhões
ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Com a participação
de servidores da casa — dois deles já falecidos
e atuando antes da informatização do sistema —,
eles conseguiram criar benefícios fictícios, alterando
a data de nascimento de segurados mortos.
Patrimônio
O ministro também disse que a Previdência precisa
montar um programa permanente de avaliação e venda
do seu patrimônio — extenso, segmentado e que até hoje
não gera receita. “As vendas são esparsas”,
afirmou. De acordo com Garibaldi, é preciso colocar a
Previdência nos trilhos sob pena de o problema, com o envelhecimento
da população, tornar-se gigantesco no futuro.
Vânia Cristino
Correio Braziliense |