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Nova estrutura remuneratória
18/3/2008
Contracheque terá apenas vencimento básico e gratificação de
desempenho
Além de trazer novas tabelas salariais para quase 800 mil servidores,
a medida provisória que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
vai enviar ao Congresso Nacional, possivelmente até o final desta
semana, estabelece mudanças na estrutura remuneratória dos integrantes
do Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (PGPE) e carreiras
oriundas, que somam cerca de 460 mil servidores.
Hoje, a estrutura salarial desses servidores é composta de Vencimento
Básico, Gratificação de Atividade Executiva (GAE), Vantagem Pecuniária
Individual (VPI) e a gratificação de desempenho, o que dava margem
a várias distorções na apresentação da remuneração final. Assim,
a nova estrutura passa a ser composta unicamente de Vencimento
Básico e gratificação de desempenho, simplificando a estrutura
remuneratória das maiores categorias do serviço público federal.
Embora o fim de tantas gratificações tenha sido um item da pauta
de reivindicação dos servidores, a categoria não ficou totalmente
satisfeita, porque a gratificação de desempenho vai depender da
avaliação do funcionário, feita pelas chefias. Para os servidores,
isso pode limitar a ação do trabalhador, no entendimento das entidades
que representam a categoria. Além disso, a pontuação para os inativos
(aposentados e pensionistas) é menor do que para os ativos.
Para avançar nas negociações - que incluem reajustes nos valores
dos benefícios, como aúxílio-alimentação, plano de saúde e auxílio-creche,
os servidores decidiram manter a mobilização. A Confederação dos
Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), a Central
Única dos Trabalhadores (CUT) e outras entidades do setor público
promovem uma marcha na Esplanada dos Ministérios, no dia 26, que
terá como uma de suas bandeiras a luta pelo cumprimento integral
de todos os acordos e compromissos firmados com diversas categorias.
Segundo a Condsef, muitas negociações de setores da base ainda
estão em andamento e não serão contempladas com a edição da medida
provisória, como os administrativos da Advocacia-Geral da União
(AGU), servidores do DNOCS, Imprensa Nacional, FNDE, Fundo da
Marinha Mercante, Arquivo Nacional e servidores da Ciência e Tecnologia
e das agências reguladoras.
Garantia
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o governo
vai prosseguir com as reuniões de negociação. “Estamos retomando
os acordos que fizemos anteriormente e que por conta da nossa
dificuldade orçamentária foram interrompidos. Vamos fazer um esforço
para continuar as negociações e cumpri-las. Restam categorias
que ainda não conseguimos fechar acordo e vamos ter que trabalhar
isso”, garantiu.
Segundo ele, a proposta de edição de uma medida provisória deve-se
à necessidade de urgência para a inclusão ainda na folha de março
dos reajustes acertados com os servidores. A medida provisória
vai contemplar dez categorias (veja quadro ao lado), que somam
cerca de 800 mil servidores. O impacto de 2008 será de R$ 2,1
bilhões.
Acima da inflação
Quase a totalidade (96%) das 715 negociações salariais acompanhadas
pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) asseguraram no ano passado a incorporação, no mínimo,
das perdas ocorridas desde a data-base anterior. Este é o quarto
ano consecutivo que em mais de 70% das negociações analisadas
houve a reposição segundo a inflação medida pelo Índice Nacional
de Preços ao Consumidor (INPC). Entre 2006 e 2007, a inflação
média acumulada foi inferior a 4%. Das 715 negociações, apenas
em 29 a inflação do período não foi reposta.
O número de categorias que obteve aumento real de salário, ou
seja, reajuste superior à variação do INPC, também foi bastante
elevada: 88%, ou 627 das negociações, apontaram aumento real.
Esse índice, próximo do de 2006 (86%), é o melhor resultado de
toda a série histórica. Do total, 70% apontaram aumento real de
1%. Somente 6% das categorias conquistaram aumento acima de 3%.
Entre os setores, os melhores resultados foram obtidos pela indústria.
Do total, 94% das categorias tiveram aumento real acima do INPC.
No comércio, o porcentual chegou a 85%, e no setor de serviços,
a 81% das negociações.
Na avaliação do Dieese, esse resultado tem ligação direta com
os baixos níveis de inflação. "À medida que o INPC acumulado se
reduz, aumenta a proporção de negociações com reajustes iguais
ou superiores a esse índice", cita a entidade. Esta mudança no
padrão de comportamento dos reajustes salariais ocorreu entre
2003 e 2004. De acordo com o Dieese, neste período, o INPC médio
caiu de 17,4% para 6,6%, e o porcentual de reajustes iguais ou
superiores a esse índice saltou de 42% para 81%.
Jornal de Brasília
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