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Caso Duvanier - Ministra
exige punição 26/01/2012
Miriam Belchior, do Planejamento, cobra esclarecimentos
sobre a morte do secretário de Recursos Humanos
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, garantiu ontem
que o governo segue de perto as investigações sobre
a morte do secretário de Recursos Humanos do governo
federal, Duvanier Paiva Ferreira, e que cobrará a punição
dos responsáveis. Acompanhada por colegas do ministério,
Miriam compareceu ontem à missa de sétimo dia,
na Catedral de Brasília — a celebração
foi marcada pelo protesto e indignação dos presentes. "Foi
uma perda muito grande, porque ele sempre foi um profissional
exemplar. Quando soubemos que pode ter havido omissão
de socorro, o desalento foi ainda maior. Defendemos que, se
houve negligência, os culpados sejam punidos. Não
só porque era um secretário de governo, mas porque
era um cidadão", disse Miriam.
A secretária adjunta de Recursos Humanos, Marcela Tapajós,
que deve ocupar o cargo de Duvanier até a escolha de um
substituto, reforçou a determinação. "Só queremos
que essas investigações sejam levadas até o
fim e, constatando-se a culpa, que os responsáveis sejam
punidos", acrescentou. Nos discursos durante a cerimônia,
amigos de Duvanier chamaram a atenção para a hipótese
de que a recusa do atendimento tenha ocorrido por racismo. "Um
negro, mais velho, que saiu no meio da noite de pijama, sem cheque
ou dinheiro. Claro que foi barrado", comentou um dos colegas
de trabalho. A família de Duvanier permaneceu em São
Paulo, cidade natal do secretário e onde ele foi sepultado,
e realizou outra missa.
Após a celebração em Brasília, um
grupo de amigos de Duvanier se reuniu fora da igreja, carregando
faixas de protesto contra a negativa de atendimento ao secretário.
Em uma delas, lia-se: "O cheque ou a vida? Injustiça?
Discriminação? Não podemos calar!".
"
Os primeiros socorros têm que ser dados sempre, independentemente
da rede de saúde em que o paciente chegue, seja ela pública
ou privada, tenha ele convênio ou não. Isso não
pode voltar a acontecer. A morte do Duvanier não pode
ter sido em vão", disse Rosilã Jaques, colega
de Duvanier e uma das organizadoras da manifestação.
Sindicalistas compareceram à cerimônia para prestar
homenagens. "O secretário foi um marco. Existe a
Secretaria de Recursos Humanos antes e depois dele. Embora tenha
sido sempre duro e nem sempre atendido nossas reivindicações,
Duvanier sempre foi firme e manteve sua palavra", destacou
Silvia Helena de Alencar, presidente do Sindicato Nacional dos
Analistas Tributários da Receita Federal (Sindireceita).
Indiciamento
A Polícia Civil apura a eventual ocorrência do crime
de racismo, as suspeitas de omissão de socorro e de cobrança
irregular de pagamento prévio (veja o quadro). O diretor-geral
da corporação, Onofre Moraes, acredita que tem
elementos suficientes para indiciar os donos dos hospitais por
homicídio culposo, quando não há intenção
de matar.
Os hospitais, entretanto, negam qualquer irregularidade. Mesmo
depois que uma testemunha próxima da família
reconheceu a mulher do secretário, Cássia Gomes,
nos vídeos de segurança do hospital Santa Luzia,
a instituição sustenta a versão apresentada
na sexta-feira: de que Duvanier não chegou a pedir atendimento
de emergência. "Todas as buscas feitas nas imagens
se concentraram na verificação da presença
de Duvanier Paiva em nosso pronto atendimento. As imagens mostram
que, às 4h37, uma senhora entra no hospital e se dirige à atendente,
iniciando uma conversa que dura oito segundos, deixando o estabelecimento
em seguida", disse a direção do Santa Luzia.
Segundo a diretora técnico assistencial do hospital, Marisa
Makiyama, o questionamento feito por Cássia foi apenas
sobre o atendimento pelo convênio com a Geap. Já a
direção do Santa Lúcia sustenta que não
houve a exigência de cheque-caução, relatada
por Cássia.
Correio Braziliense |