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Mínimo
e funcionalismo ficam sem reajuste real em proposta
A proposta orçamentária encaminhada ontem ao Congresso
Nacional pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, não
prevê aumento real para o salário mínimo
em 2011 nem correção geral para os salários
dos funcionários públicos federais. O valor do
salário mínimo fixado na proposta é de R$
538,15, que entrará em vigor no dia primeiro de janeiro
do próximo ano. Mas Paulo Bernardo acredita que, no Congresso,
o valor será "arredondado" para R$ 540.
"É evidente que não vai ficar assim (em R$
538,15), pois não tem nem como pagar. Seria mais sensato
pagar R$ 540, mas deixa isso acontecer lá (no Congresso)",
afirmou o ministro. Ao corrigir o valor do piso salarial apenas
pela inflação estimada para o período de
janeiro a dezembro deste ano, medida pelo INPC, Bernardo disse
que o governo cumpriu o acordo firmado com as centrais sindicais
e que valeu nos últimos cinco anos.
O acordo prevê aumento real para o mínimo igual
ao crescimento da economia de dois anos anteriores. Como em 2009
o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou crescimento negativo
de 0,2%, de acordo com o IBGE, o governo decidiu não conceder
reajuste real ao piso em 2011.
O ministro explicou que o acordo prevê também uma
revisão das regras de reajuste do salário mínimo
no início de um novo governo. "O próximo presidente
da República poderá negociar com as centrais sindicais
novas regras", disse Bernardo. Ele deixou claro que o atual
governo não vai propor qualquer alteração
no valor do mínimo e aceitará apenas o "arredondamento" do
valor.
O governo também não alocou recursos para o aumento
médio de 56% dos salários que os servidores do
Judiciário reivindicam em projeto de lei que tramita na
Câmara dos Deputados, com impacto superior a R$ 6 bilhões
nas contas públicas. A proposta orçamentária
encaminhada ontem prevê recursos para pagar apenas os reajustes
salariais concedidos aos servidores em anos anteriores e cujas
parcelas entram em vigor em 2011.
O projeto de lei orçamentária para 2011 prevê uma
redução dos gastos com o pagamento de servidores
ativos e inativos da União, em proporção
do PIB. Essas despesas deverão atingir 5,08% do PIB este
ano e cairão para 4,70% no próximo ano.
O ministro informou também que a proposta não
prevê reajuste para os benefícios do Bolsa Família
em 2011, cujas despesas ficarão quase constante em relação
a este ano. "A explicação para isso é que
atingimos um número de famílias que tinham que
ser atendidas pelo Bolsa Família", explicou. Este
ano, a previsão é que o programa beneficie 12,7
milhões de famílias pobres, ao custo de R$ 13,1
bilhões. No próximo ano, o número de famílias
será o mesmo, com custo de R$ 13,4 bilhões.
A proposta foi elaborada com estimativa de crescimento do PIB
de 5,5% em 2011 e inflação de 4,5%. As receitas
totais da União foram previstas em R$ 967,6 bilhões,
sendo que as receitas líquidas de transferências
para Estados e municípios ficaram em R$ 802,8 bilhões.
As despesas totais foram fixadas em R$ 753 bilhões e o
superávit primário do governo central (Tesouro,
Previdência e Banco Central) em R$ 49,8 bilhões.
Como o Valor antecipou ontem, o superávit primário
de todo o setor público passou de 3,3% do PIB para 3,22%
do PIB por causa da revisão do valor do PIB de 2011, estimado
agora em R$ 3,892 trilhões. Bernardo disse que, ao longo
de 10 anos, o efeito dessa redução será neutro,
pois em alguns anos, o PIB vai ser menor do que o projetado e
o superávit nominal será mantido.
Autor(es): Ribamar Oliveira, de Brasília
Valor Econômico - 01/09/2010
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