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Governo
quer divulgar o CPF de servidores
27/04/2011
CORRUPÇÃO
Ó
rgãos de fiscalização defendem que a medida
ajudará a investigar funcionários públicos
suspeitos de terem cometido irregularidades, mas iniciativa é polêmica.
O Executivo prepara uma norma para obrigar as três esferas
da administração pública (federal, estadual
e municipal) a divulgarem nos diários oficiais o CPF de
todos os funcionários públicos nas publicações
relativas a eleição, nomeação, designação,
contratação ou qualquer outra determinação
pessoal referente aos servidores. O texto, elaborado pela Controladoria-Geral
da União (CGU), foi apresentado à Estratégia
Nacional de Combate à Corrupção (Enccla).
O grupo defende que a medida facilitará as investigações
de servidores, especialmente aqueles que ocupam funções
de confiança no governo.
A ideia, no entanto, é polêmica. A Confederação
dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef)
critica a proposta, que, segundo a entidade, invade a privacidade
dos funcionários. “O governo não tem o direito
de expor dados pessoais. O CPF, assim como a carteira de identidade,
são informações minhas e não devem
ser divulgadas”, afirma o secretário-geral da Condsef,
Josemilton Costa.
A recomendação começou a ser discutida
no fim de 2009. Órgãos de controle e de fiscalização
reclamavam das dificuldades em localizar dados confiáveis
de servidores públicos. Polícia Federal, Tribunal
de Contas da União (TCU) e Ministério Público
Federal (MPF) creditam atrasos nas investigações
devido a homônimos, ou mesmo a falhas de grafia. Autoridades
responsáveis por fiscalizar pessoas politicamente expostas,
como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)
e o Banco Central, apresentaram as mesmas queixas.
“É uma medida simples e extremamente importante.
Muitas vezes, temos dificuldades de proceder uma investigação
porque nos deparamos com homônimos. As medidas cautelares,
como apreensão e bloqueio de bens, por exemplo, acabam
sendo prejudicadas”, afirma o procurador da República
Vladimir Aras. Para ele, um ato administrativo seria suficiente
para a medida passar a valer. “Não precisa encaminhar
uma lei para o Congresso. Vai ficar parada. O fundamental é que
os outros poderes, inclusive o Legislativo, também adotem
essa proposta de transparência”, completa o procurador.
A recomendação foi incluída no plano de
trabalho de 2010 da Enccla, sob a coordenação da
Controladoria-Geral da União (CGU). A organização é comandada
pelo Ministério da Justiça e tem a colaboração
de órgãos do Executivo, do Judiciário e
do Ministério Público. Sem muitos avanços,
a meta foi reafirmada em 2011 e agora deve sair do papel.
Sigilo dos dados
O ponto mais polêmico — o sigilo dos dados — foi
pacificado pelo grupo de trabalho responsável pela proposta. “Foram
afastadas quaisquer preocupações, porque ficou
demonstrado que a indicação do CPF já está presente
em diversas publicações, além de estar inscrito
em cheques que circulam livremente”, afirma a CGU. “O
mecanismo existente mais adequado para essa identificação
seria a utilização do número de CPF, por
ser único, individual e específico para cada cidadão”,
endossa o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, no texto da proposta.
Secretário-geral da Consef, Josemilton Costa critica
a proposta e acredita que ela pode abrir precedentes para a divulgação
de outros dados pessoais dos funcionários públicos. “O
problema da corrupção não está no
servidor de carreira, mas nas pessoas que o governo traz para
atender cabides políticos. Eles é que não
têm compromisso com a ética no serviço público.” Costa,
no entanto, defende a publicidade das informações
para cargos comissionados, inclusive o de ministros. “Ser
transparente é cobrar a publicação anual,
por exemplo, do patrimônio dos chefes das pastas e daqueles
que ocupam função de confiança.” Autor Alana
Rizzo
Correio Braziliense |