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Governo
admite conceder aposentadoria integral por invalidez 04/05/2011
O secretário de Políticas de Previdência
do Ministério da Previdência, Leonardo José Rolim
Guimarães, admitiu nesta terça-feira, em audiência
pública da Comissão de Seguridade Social e Família,
a possibilidade de o governo vir a apoiar a aprovação
da Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
270/08, da deputada Andreia Zito (PSDB-RJ), que torna a aposentadoria
por invalidez no serviço público integral e com
paridade em relação aos servidores da ativa.
Segundo o secretário, a proposta é “meritória
e tecnicamente viável”. O apoio do governo, contudo,
explicou Guimarães, vai depender de alguns ajustes no
texto da PEC, em especial a não retroatividade e a não
extensão da mudança às pensões por
morte.
Hoje, a aposentadoria por invalidez pelos regimes próprios
de previdência do servidor (RPPs) é proporcional
ao tempo de contribuição. Já pelo Regime
Geral da Previdência Social (do INSS), é integral.
Inclusão na pauta
Para o relator da PEC, deputado Amauri Teixeira (PT-BA), não
faz sentido essa diferença de regra. “As razões
que justificam a aposentadoria por invalidez são as mesmas,
independente do regime”, argumentou Teixeira.
Ele acrescentou que a aposentadoria por invalidez integral foi
retirada do servidor público numa época de acirramento
da ofensiva neoliberal. “É uma iniquidade, uma injustiça”,
protestou Teixeira.
Por sugestão dos deputados Policarpo (PT-DF) e Benedita
da Silva (PT-RJ), os integrantes da Comissão de Seguridade
Social vão procurar o presidente Marco Maia, o líder
do governo, Cândido Vacarezza (PT-SP), e os líderes
partidários para pedir que a PEC seja incluída
na pauta do Plenário.
A proposta foi aprovada por comissão especial em novembro
de 2009, mas até hoje não foi incluída na
pauta do Plenário, por falta de acordo entre os líderes
partidários. Há mais de 100 requerimentos de deputados
pedindo a votação da proposta pelo Plenário.
O deputado Padre João (PT-MG) incluiu a realização
de contatos também com os coordenadores das bancadas estaduais,
tendo em vista que os governadores são o principal foco
de resistência à PEC.
Impacto financeiro
O secretário Guimarães informou que, para a União,
o impacto financeiro da PEC seria de R$ 1,1 bilhão anuais,
sem o pagamento retroativo. Com ela, o impacto poderia ser bem
maior, o que preocupa o governo. “Os deputados devem estar
bem conscientes desses valores”, observou o secretário.
Para os estados e municípios, que na grande maioria operam
contas próximas ao teto dos gastos com pessoal, a PEC
traz preocupações maiores. O secretário
disse que não dispõe de números precisos
sobre o impacto para estados e municípios, mas imagina
que supere o da União.
Guimarães ponderou também que a PEC pode gerar
injustiças, porque o aposentado por invalidez, mesmo com
muito pouco tempo de contribuição, pode vir a receber
mais do que um aposentado que contribuiu por muitos anos. Para
Guimarães, o mais correto e mais justo seria conceder
ao servidor inválido algum outro tipo de compensação
financeira, dissociada da aposentadoria.
Contrato de seguro
O presidente da Associação Nacional dos Auditores
Fiscais da Receita (Anfip), Jorge César Costa, defendeu
a PEC pelo ângulo do conceito da seguridade. “A previdência é um
contrato de seguro, foi feita para proteger o trabalhador, não
pode desampará-lo quando falta a saúde”,
argumentou.
Jorge César Costa disse que os servidores aguardam uma
solução do Legislativo. “Com base na preocupação
com impactos financeiros não vamos evoluir”, advertiu
o líder sindical. E exortou o governo a “corrigir
esta dívida com o servidor”.
O secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores
no Serviço Público Federal, Josemilton Maurício
da Costa, defendeu a permanência do caráter retroativo
da PEC. “Quando o servidor comete um erro, tem que devolver
o prejuízo aos cofres públicos”, comparou.
Para ele, a reforma previdenciária errou ao acabar com
a aposentadoria integral por invalidez, e retirar o caráter
retroativo da PEC seria “corrigir essa injustiça
pela metade”.
A autora da PEC, deputada Andreia Zito (PSDB-RJ), disse que há na
Casa quase unanimidade pela aprovação. “Para
mim, é questão de honra votá-la. Não
vejo motivo em contrário. Há uma angústia
grande entre os servidores injustiçados”, afirmou.
Para ela, é inadmissível condicionar a aprovação à análise
do impacto financeiro. “O servidor não pode ser
sacrificado em razção de um problema do governo”,
disse.
Fonte: Agência Câmara de Notícias
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