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Governo prepara votação
do Funpresp
08/12/2011
O governo está há uma semana de, enfim, aprovar
na Câmara dos Deputados o projeto que reformula radicalmente
o regime de Previdência do Setor Público Federal.
Responsável por um déficit que deve atingir R$57
bilhões este ano, com 957 mil servidores aposentados e
1,1 milhão na ativa, o regime de previdência de
servidores públicos Federais e sua reforma radical está no
topo da lista de prioridades do governo Dilma Rousseff para as
sessões finais do Congresso neste ano - dividindo as atenções
do governo com a prorrogação da Desvinculação
de Receita da União (DRU).
"
A União não pode mais bancar esse prejuízo
enorme", disse ontem o ministro da Previdência Social,
Garibaldi Alves, complementado pelo secretário-executivo
do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa: "Este é o
momento chave para a reforma, é agora ou nunca."
Garibaldi e Barbosa participaram ontem de comissão geral
realizada no plenário da Câmara para discutir o
projeto de lei (PL) 1.992/07, que substitui o atual regime Previdenciário
do setor Público Federal por um modelo similar ao adotado
para os trabalhadores brasileiros do Setor Privado. O projeto
será votado na semana que vem, e o governo já costurou
um acordo com todos os líderes dos partidos da base aliada,
o que garante a aprovação do texto.
O Valor apurou que a maior parte dos parlamentares do PSDB e
do DEM, que fazem oposição ao governo, também
são favoráveis à reforma. Ainda assim,
Rodrigo Maia (DEM-SP) criticou publicamente o projeto, ontem.
"
O sistema atual não promove uma justiça entre os
servidores. Aquele servidor que contribuiu por 40 anos recebe
exatamente o mesmo que aquele que contribuiu por 15 a 20 anos",
afirmou Barbosa aos deputados ontem. "Essa injustiça
vai terminar com a aprovação do projeto, uma vez
que vai receber um benefício previdenciário maior
aquele que trabalhar mais tempo no serviço público",
disse.
Os servidores que ingressarem na União a partir da sanção
do projeto terão sua aposentadoria limitada pelo teto
de Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tal qual ocorre
com os demais trabalhadores brasileiros. Para receber mais, o
servidor poderá aplicar em um dos três fundos (um
para cada Poder) de Previdência complementar que serão
criados pelo PL 1.992/07. O Tesouro Nacional vai cobrir os aportes
do servidor no fundo em até 7,5%.
Na estimativa apresentada ontem aos parlamentares, Barbosa afirmou
que o benefício previdenciário será superior
ao regime atual: "Se contribuir por 35 anos, tendo uma
rentabilidade média de 5% ao ano, em termos reais, e
com a alíquota menor [10%] de Imposto de Renda, que é a
que incide sobre o cotista de fundos de pensão, o servidor
terá benefício equivalente a 105% de seus maiores
salários na carreira, enquanto hoje esta relação é de
89%".
Os principais interlocutores dos técnicos da equipe econômica
na Câmara, os deputados Ricardo Berzoini (PT-SP) e Sílvio
Costa (PTB-PE), ainda articulam para dirimir o último
detalhe técnico do projeto: se a participação
do Tesouro, de até 7,5% do que o servidor aportar no fundo,
será capaz de cobrir os benefícios de mulheres
e categorias especiais, como policiais, e pela Constituição
e por Lei Complementar, respectivamente, podem se aposentar com
30 anos de serviço. Ao contribuírem por menos tempo
seu capital acumulado será, portanto, menor.
Berzoini defende que a alíquota seja elevada a 8,5% de
forma a compensar os benefícios de servidores que podem
se aposentar com menos de 35 anos, enquanto Costa sugere a adoção
dos 8,5% apenas para esses casos especiais. Nos próximos
dias, o governo vai se reunir com a Advocacia Geral da União
(AGU) para discutir se é possível oferecer um tratamento
diferenciado aos servidores no novo regime.
Valor Econômico
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