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Golpe em aposentados
atinge Ministérios
Polícia desmonta quadrilha especializada em fraudar contracheques
de aposentados e pensionistas da Saúde em quatro estados.
Falhas na segurança do sistema de gestão de pessoal
do governo federal permitiram que uma quadrilha fraudasse contracheques
de cerca de 3,8 mil aposentados e pensionistas do Ministério
da Saúde.
O golpe desviou aproximadamente R$ 2,2 milhões
ao ano por meio de descontos entre R$ 10 e R$ 150 nos vencimentos
das vítimas. As investigações apontam para
associações com acesso a servidores com senhas
do Sistema Integrado de Administração de Recursos
Humanos (Siape)(1), controlado pelo Ministério do Planejamento.
Mas nem o órgão nem a Saúde admitem responsabilidade
nas fraudes, num claro jogo de empurra.
Pelas regras em vigor, o Ministério da Saúde é responsável
pela elaboração da folha de salários de
seus funcionários, definindo o que será pago e
o que será descontado. Já o Planejamento tem a
responsabilidade de processar os contracheques. Ambos alegam
que seguem estritamente o seu papel. O Planejamento assegura
ainda que o programa usado pelo governo para a folha de pessoal é seguro.
Para acessá-lo, acrescenta a Pasta, é necessário
um código que poucos funcionários têm. O
sistema fica aberto durante um determinado período do
mês para que as diversas unidades da administração
pública, possam fazer os lançamentos.
Novos suspeitos
A quadrilha, que atuava desde 1995, foi desbaratada pela Delegacia
de Defraudação da Polícia Civil do RJ. Os
golpes vitimaram aposentados e pensionistas de MG, RJ, ES e CE.
Nas investigações, que começaram em junho
de 2009, os policiais descobriram que o bando montou associações
de classe para oferecer supostos descontos, convênios e
auxílios com o objetivo específico de roubar parte
dos vencimentos dos servidores. “Queremos, agora, descobrir
como a quadrilha conseguiu o cadastro dos servidores.
Provavelmente, é alguém
ligado a algum ministério, como o da Saúde ou do
Planejamento”, afirmou o delegado Robson da Costa.
Entre as quatro pessoas presas, duas foram capturadas na capital
fluminense; uma em São Gonçalo, Região Metropolitana
do Rio; outra em Vitória. Ao todo, foram expedidos sete
mandados de prisão e 14 de busca e apreensão pela
Operação Hermes, como foi batizada. Foram apreendidos
ainda computadores e fichas cadastrais em três entidades
no Rio e em Niterói: Associação Nacional
dos Servidores Públicos da Previdência Social (ANSPPS),
Associação dos Servidores da Administração
Pública Federal (Aseap) e Associação dos
Agentes de Saúde Pública do Brasil (Asabras). Outras
duas, a Associação dos Servidores Públicos
e Auxílio Mútuo (Aspam) e o Grêmio Nacional
de Assistência aos Servidores da Previdência Social
(Grerasps), também são investigadas com base em
denúncias.
Correio Braziliense - 21/07/2010
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