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ARTIGO
O Futuro do Servidor Público
Cícero Domingos Penha
A sociedade brasileira perdeu a fé no serviço público
e condenou, indiscriminadamente, os seus servidores ao desprezo.
Atrás desta sentença, está a visão
de que o serviço público é sinônimo
de má qualidade e cabide de emprego, e o servidor, um sujeito
incompetente e acomodado. A bem da verdade, regra geral, o servidor,
hoje em dia, é um ser desmotivado pelas más condições
de trabalho e pela falta de perspectivas.
No mundo inteiro, o serviço público anda atrás
do dinamismo da iniciativa privada. No Brasil, entretanto, a distância
é alarmante e já compromete a vida do cidadão
e o crescimento do País. A recuperação depende
muito de gente competente e motivada.
Para isso, urge um novo modelo que resgate sua auto-estima, tarefa
difícil, que demanda a reformulação de um
sistema pobre e jurássico, incluindo mudança de
leis.
Via de regra, o servidor público vê-se
obrigado a desenvolver sua carreira navegando por anos a fio num
mar de condicionantes desfavoráveis caracterizadas pela
ausência de reconhecimento por mérito e progressão
de carreira. Some-se a isso a falta de treinamento à altura
das necessidades e, o pior: condições de trabalho
precárias que vão desde a falta de coisas simples,
como, por exemplo, caneta para escrever, até equipamentos
e softwares adequados. É obrigado a conviver com processos
e procedimentos ultrapassados, excesso de burocracia que castra
sua criatividade e com a falta de seqüência nos planos
de ações decorrente das constantes trocas de chefias.
Além de tudo, muitos ainda são vítimas do
jogo do poder político, que pode comprometer para sempre
suas carreiras. Para completar, todos têm que pagar na s
ociedade o preço da desconfiança, criado em razão
de uma minoria de maus profissionais ? daqueles que existem em
todas as profissões ? que coloca o servidor na situação
constrangedora de ter que provar todos os dias que é honesto.
Haja motivação!
Os dirigentes da administração pública,
de todas as esferas, precisam urgente, com o apoio do poder legislativo,
reinventar um novo padrão de gestão de seus talentos.
A fórmula deve conter uma cesta de soluções,
começando pela revisão das diretrizes orçamentárias
que garanta recursos para boas condições de trabalho
e completando com adoção de políticas e práticas
de gestão de pessoas, inspiradas nas teorias da motivação
humana, tais com sistemas de avaliação de desempenho,
políticas de promoção por mérito,
práticas de feedback, revisão dos quadros trocando
quantidade por qualidade, processo simples que permita demitir
rápido quem for corrupto ou incompetente, programas de
estímulo à geração de idéias
e criatividade, programa s de melhorias contínuas de processos,
estudos de clima organizacional, planos de premiação
por produtividade e resultados, planos de treinamento baseado
nas necessidades dos cargos, etc.
Um novo modelo deve contemplar ainda formação
de líderes gestores e educação e conscientização
de todo servidor de que o cidadão é um cliente,
e a sociedade em geral, o grande mercado a ser conquistado.
O Brasil precisa de qualidade no serviço
público, e o servidor, de motivação. Há
inteligência dentro dos próprios quadros dos talentos
públicos e recursos no País para fazer uma revolução
nesta área. A grande parcela de servidores é composta
de pessoas competentes e batalhadoras que ignoram tudo que conspira
contra e lutam até a morte para fazer o melhor mesmo sem
esperar reconhecimento. Imagine o que farão quando houver
estímulo e condições de trabalho!
Cícero Domingos Penha
Diretor de talentos humanos corporativo do grupo
Algar - Uberlândia (MG)
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