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Duvanier Paiva, Secretário de RH do Governo, morre sem atendimento
médico
20/01/2012
Polícia investiga se houve negligência de hospitais
no socorro a Duvanier Paiva, assessor da pasta de Planejamento,
que sofreu um infarto Principal articulador do governo com as
categorias do funcionalismo público, Duvanier Paiva Ferreira,
de 56 anos, morreu ontem em Brasília. O servidor passou
mal em casa, na 303 Sul, e foi levado, de madrugada, para os
hospitais Santa Lúcia e Santa Luzia. Como os dois centros
não aceitam o plano de saúde de Duvanier (Geap)
e ele estava sem cheques para a caução, acabou
levado para o Hospital Planalto, onde os médicos não
conseguiram reanimá-lo. Colegas de trabalho denunciaram
o caso e o diretor-geral da Polícia Civil, Onofre Moraes,
determinou a abertura de inquérito. Em nota, a presidente
Dilma Rousseff lamentou a morte do assessor.
Duvanier Paiva, que cuidava do funcionalismo federal, passou
pelos hospitais Santa Lúcia e Santa Luzia, mas, sem
um talão de cheque, foi barrado. Polícia vai
investigar o caso
O secretário de Recursos Humanos do Ministério
do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira, morreu às 5h30
de ontem, aos 56 anos. Após sofrer um infarto agudo do
miocárdio quando estava em casa, na 303 Sul, foi levado
aos hospitais Santa Lúcia e Santa Luzia. Mas, sem um talão
de cheques em mãos, teve o atendimento negado. Ele era
conveniado da Geap, plano não coberto pelos dois hospitais,
segundo as centrais de atendimento. Quando chegou ao Hospital
Planalto — o terceiro na busca por uma emergência —,
o quadro já estava avançado e os médicos
não conseguiram reanimá-lo.
Procurado pelo Correio, o Hospital Santa Lúcia informou
que o caso estava sendo avaliado pelo seu Departamento Jurídico.
O Santa Luzia garantiu não ter qualquer registro da entrada
de Duvanier na emergência. "Iniciamos um levantamento
para verificar o assunto", assegurou Marisa Makiyama, diretora
técnica assistencial do estabelecimento. O Hospital Planalto
ressaltou que não se pronunciaria devido ao fim do expediente.
Duvanier era o responsável pela gestão dos servidores
públicos federais e o homem forte da presidente Dilma
Rousseff para liderar as negociações com sindicatos
e demais entidades representantes do funcionalismo.
O diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal,
Onofre Moraes, afirmou que, diante das denúncias de servidores
e dos relatos levados a ele pelo Correio, abrirá inquérito
para apurar as condições e o atendimento recebido
por Duvanier Paiva nos hospitais Santa Lúcia e Santa Luzia.
Se comprovado que houve negligência, os responsáveis
poderão ser punidos. A exigência de cheque, cartão
de crédito ou outros valores a título de caução
para pacientes que alegam possuir plano de saúde é expressamente
ilegal.
Ó
rgãos de defesa do consumidor ouvidos pelo Correio consideraram
gravíssima a recusa de atendimento a Duvanier, vítima
de infarto. O artigo nº 39 do Código de Defesa do
Consumidor (CDC) determina, em seu inciso 5º, que o prestador
de serviço não pode exigir "vantagem manifestamente
excessiva" do consumidor — caso no qual se encaixa
o caução, uma vez que o próprio plano de
saúde é a garantia do hospital.
Estado de perigo
Desde 2003, a Resolução Normativa nº 44 da
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) também
proíbe a cobrança de qualquer tipo de garantia
adicional antecipada ou durante a prestação de
serviço. "Não é só ilegal. É muito
ilegal. Além dessas regulamentações específicas,
o Código Civil protege o cidadão das cobranças
abusivas no que é classificado como Estado de Perigo,
que são essas situações extremas na qual
o sujeito está defendendo a própria vida, como
quando ele chega a um hospital buscando atendimento de emergência",
enfatizou Joana Cruz, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa
do Consumidor (Idec).
O diretor-geral do Procon-DF, Oswaldo Morais, afirmou que a recusa
de atendimento é injustificável, uma vez que
a identificação do paciente junto ao plano de
saúde é simples de ser feita. "Os hospitais
conveniados mantêm contato permanente com as operadoras.
Com o número do CPF, é perfeitamente possível
saber se a pessoa tem ou não o plano", afirmou.
E mesmo no caso de o hospital não aceitar o plano do
paciente, o atendimento, diante do risco de morte, deve ser
feito do mesmo jeito, com ressarcimento pelo Sistema Único
de Saúde (SUS).
Morais ressaltou que o Procon pode intervir imediatamente na
questão, caso seja acionado. "Nas situações
em que somos avisados, podemos entrar em contato com o hospital
ou com a operadora e tentar solucionar a questão rapidamente",
completou. Quando há prejuízo à saúde
ou nos casos de morte pela negativa do atendimento, a família
deve procurar a Justiça — nos Juizados Especiais
Cíveis, em ações menores do que 40 salários
mínimos ou na Justiça comum, para processos com
valor acima desse teto.
Joana Cruz, do Idec, assinalou que não há números
precisos para esse tipo de ocorrência, mas que as reclamações
de exigência de cheque-caução na rede privada
de hospitais são corriqueiras. "Foi exatamente por
essa frequência que a ANS baixou essa determinação",
concluiu.
Repercussão
"
Duvanier simbolizava a política de recursos humanos do
governo federal. Foi uma perda enorme" Miriam Belchior,
ministra do Planejamento
Gustavo Henrique Braga e Gabriel Caprioli
Correio Braziliense -
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