Fique
bem-informado
Dilma
eleita.
E agora?
05/11/2010
Com certeza a eleição presidencial de 2010 não
foi tão emocionante como outras tantas de épocas
atrás. Faltou nesta uma terceira via que realmente empolgasse,
tivesse a suficiente representatividade e carisma popular e que
não fosse ligada a nenhum esquema passado de desmandos
ou más administrações. Talvez por isso a
polarização desde o inicio entre Dilma e Serra,
que se estendeu até o final da eleição no
segundo turno, finalizado no último dia 31 de outubro,
prosperou. Para o funcionalismo federal nenhuma das opções
(PT e PSDB) era vista com bons olhos. Talvez Dilma Rousseff tivesse
um pouco mais de simpatia, haja vista o governo do PT ter sido,
mesmo que minimamente, mais benevolente com o funcionalismo,
do que o governo anterior do PSDB, do qual José Serra
participou ativamente.
Muito pouco se falou em servidores federais na campanha. Nos
debates, sempre insossos e cansativos, os temas preponderantes
eram os de sempre, porém não menos importantes:
segurança, educação e saúde. Ambos
candidatos que, somados seus mandatos, governaram o Brasil
por 16 anos, tinham a solução para tudo (caso 20%
do que eles falaram na campanha tivesse sido colocado em prática,
o Brasil seria país do primeiro mundo). No entanto é inegável
o avanço social dos últimos oito anos, que possibilitou
a diminuição do desemprego e o conseqüente
acesso ao consumo para classes sociais antes completamente esquecidas
e excluídas.
Os funcionários públicos federais no Governo Lula,
logo no início de seu governo, tiveram grandes decepções.
A principal delas foi a implementação da reforma
da previdência que criou o desconto dos inativos que diminuiu
os vencimentos de uma boa parcela de aposentados que teve que
continuar a descontar para a previdência. A aprovação
da PEC 555, que seguramente entrará na pauta de votação
do Congresso ano que vem, tentará corrigir essa injustiça.
Outra medida prejudicial foi o aumento do tempo de serviço
para muitos servidores, fazendo com que tivessem que trabalhar
mais vários anos para conseguir a aposentadoria. No entanto
os governistas elogiam Lula por ter feito, segundo eles, a maior
mesa de negociação com o funcionalismo público,
convidando entidades sindicais e confederações
representativas de todas as categorias e contemplando-as com
aumentos e estruturação de carreiras. Nessas negociações
as carreiras mais beneficiadas foram as de Estado. Servidores
da base, que atendem diretamente a população, como
a Saúde, Previdência e Trabalho não foram
valorizados e houve flagrante discriminação.
Dilma Rousseff foi eleita pegando carona na alta popularidade
de Lula junto à sociedade, beirando inéditos 80%.
Para o funcionalismo nada de diferente do que já aconteceu
irá ocorrer. Os reajustes continuarão a serem concedidos,
porém de uma forma bem mais lenta pelo menos no começo
do novo governo. O modo atual de concessões de pensões
será certamente revisado. Por tudo isso, teme-se que o
servidor federal pague a conta do tão falado “custo
social” do governo para os próximos 4 anos. Custo
social este necessário porém injusto se recair
nas costas do funcionalismo público. Analistas políticos
já falam que o próprio Presidente Lula se encarregará,
aproveitando-se de sua alta popularidade, de noticiar e implementar,
até o final de seu mandato, medidas impopulares que frustrarão
servidores públicos e a massa aposentada da previdência,
poupando Dilma desse desgaste logo no início de seu mandato.
Não podemos esquecer do PLP 549/2009, que segundo o jornal
O Globo, de 3 de novembro, poderá ser implementado pelo
governo Dilma. Este Projeto é originário do Senado,
e congela o salário dos servidores por 10 anos. O PLP
limita o crescimento do gasto com pessoal à inflação
mais 2,5% ao ano (ou o crescimento do PIB, o que for menor),
o que mal cobre o crescimento vegetativo da folha, e impede a
necessária expansão dos serviços públicos
no país. Também já se fala na volta da CPMF.
Não somos totalmente contra, desde que a população
com menos renda seja isenta, os recursos sejam aplicados diretamente
- e somente - na Saúde e também, o que é essencial,
nos funcionários da Saúde, investindo em remuneração
digna e aperfeiçoamento. Muitos podem pensar que se José Serra
tivesse sido eleito as expectativas poderiam ser melhores. Não.
Basta olhar para trás para atestar como o governo do PSDB
tratou seus servidores federais: chamava-os de “vagabundos” e
os deixou oito anos sem qualquer aumento salarial.
Agora os servidores públicos devem estar atentos, como
sempre, para as votações no Congresso em 2011 que
decidirão se boa parte destas medidas valerão ou
não. Para isso é essencial que os nomes de seus
deputados federais eleitos, estejam ainda frescos na memória
para saber como eles irão votar e realizar o diálogo
necessário para impedir que o funcionalismo público,
mais uma vez pague a conta de sucessivas más administrações
que vêm há décadas privilegiando setores
improdutivos, mas que sempre acabam lucrando com a troca de favores
entre o público e o privado.
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