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bem-informado
A dificil situação dos servidores do Ministério
da Saúde cedidos ao SUS 25/07/2011
Em 1993 a Lei 8689, de 27de julho, extinguiu o INAMPS. Os servidores
desse Instituto outrora prestava assistência médica
a milhões de brasileiros. Contudo, por não ter
ainda o direito universal e gratuito á saúde, apenas
aqueles que tinham contrato formal de trabalho tinham direito
aos serviços de saúde prestados pelo INAMPS.
Com a Constituição de 88, sagra-se como direito,
o acesso gratuito á saúde a todos os brasileiros.
Com isso, o INAMPS perde sua razão de existir e dois anos
depois tem início o processo de sua extinção
com a criação dos SUDS ,mais tarde, SUS.
Com esta mudança, a Lei a que me referi no inicio deste
artigo, deu a todos os servidores do agora ex-INAMPs o direito
de ,por 180 dias, se redistribuírem para qualquer órgão
da Administração Pública Federal. Entretanto,como
muitos de seus dirigentes sindicais também, estavam na
luta pela reforma sanitária, a maioria passou a defender
a permanência de todos os servidores do ex-INAMPS nas unidades
de saúde, agora descentralizadas e formadas por hospitais
, postos de saúdes, pertencentes anteriormente ao INAMPS.
Pois bem, esses servidores poderiam ter se transferidos para
outros ministérios; preferiram permanecer em seus locais
de trabalho para dar suporte ao novo sistema de saúde,
conquistado a duras penas pelos lutadores da reforma sanitária
que ,articulados com os constituintes progressistas, inscreveram
na Constituição a doutrina basilar do SUS; “ saúde,
dever do estado, direito do cidadão”.
Hoje, porém, passados 21 anos, a situação
funcional desses servidores, que dedicaram suas vidas profissionais à consolidação
do Sistema Único de Saúde, está muito difícil
em vários aspectos,a saber:
Profissional: Em que pese, o governo do presidente Lula ter
começado a dar mais atenção a esses servidores
, nos estados e munícipios onde estão cedidos são
muitas vezes, discriminados do posto de vista do acesso aos processos
de capacitação e requalificação profissional.
Não estamos defendemos que deva haver privilégio,
não. Mas defendemos que haja tratamento igual com todos
os servidores que compõem os SUS: estaduais, municipais
e federais. Isto, infelizmente não vem ocorrendo, sendo
alijados muitas vezes, de cursos, treinamentos,etc, Com exceção
dos profissionais de nível superior, notadamente, a área
da medicina e enfermagem e mesmo, não em todas as gestões;
Salarial: Com a desresponsabilização do governo
federal em não mais contratar servidores para as unidades
descentralizadas, ficou em último plano a questão
salarial desses servidores, cujos salários estão
entre os mais baixo da Administração Federal, levando-os
a repensar se ainda vale a pena permanecer ou não, cedidos
ao SUS, diante dos prejuízos financeiros frente aos demais
servidores federais;
Situação funcional: Sofrem perseguições
políticas por parte de muitos gestores estaduais e principalmente
municipais, visto que , muitos prefeitos das médias e
pequenas cidades agem como verdadeiros imperadores ameaçando
devolvê-los à sede do Ministério da Saúde.
Acontece que, os núcleos estaduais do Ministério
da Saúde ficam muitas vezes, muito distantes das cidades
onde estão lotados, o que deixa esses servidores à mercê da
vontade , muitas vezes, tirana, desses governantes.
Poderia escrever muito sobre a difícil situação
desses servidores; contudo , a ideia desse pequeno artigo é chamar
a atenção do governo federal, dos parlamentares
federais para que se encontre uma solução justa
para esses servidores que no passado ( e no presente) deram suas
vidas para a consolidação do SUS.
Essa solução deve resultar na melhoria dos salários,
de tal forma que sejam equivalentes ao dos servidores do INSS;
na extinção de toda e qualquer discriminação
nos estados e municípios onde estão cedidos ; na
possibilidade concreta de redistribuição ( para
aqueles que porventura quiserem).
Em suma, o governo federal, deve implementar uma politica de
recursos humanos que melhores os salários, que dê tranquilidade
aos que estão cedidos aos estados e municípios.
Reconheço, repito, que no governo Lula, foram tomada
muitas iniciativas. Uma delas, o melhoramento do padrão
salarial. Contudo, o achatamento salarial, foi tão severo
nos dois governos de FHC, que mesmo os ajustes feito na tabela
da Carreira da Saúde, da Previdência e do Trabalho,onde
os mesmo se encontram inseridos, foram insuficientes para recuperar
a perda sofrida ao longo de dez anos, sem reajuste nenhum.
Essas iniciativas devem ser apoiadas pelo Conselho Nacional
de Saúde, Mesa Nacional de Negociação Permanente
do SUS, Coordenação Geral de Recursos Humanos do
Ministério da Saúde e a Secretaria de Relações
do Trabalho, do Ministério do Planejamento.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade
Social – CNTSS/CUT, sempre manifestou preocupação
e esteve à frente das principais mobilizaçoes,
articulações e negociações, no afã de
melhorar a situação desse trabalhadores.
Faz-se necessário, contudo, para dar mais suporte a esta
estratégia nacional, por parte da CNTSS, a mais perfeita
articulação e mobilização dos sindicatos
desses servidores para que, a curto e médio prazo, a situação
funcional, salarial e profissional desses servidores seja definitivamente
resolvida.
Eles merecem. Não se pode dar as costas a quem tanto
fez e continua fazendo pelo SUS.
*Irineu Messias, é dirigente licenciado do SINDSPREV
de Pernambuco.Foi presidente da Confederação Nacional
Trabalhadores em Seguridade Social – CNTSS/CUT.(2004-2007)
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