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Câmara
deve rejeitar PLP 549 que congela salário do servidor por 10
anos
19/05/2011
Um projeto rejeitado pela própria
base
O projeto de lei complementar que limita o aumento dos
gastos com pessoal em 2,5% ao ano (além da correção
da inflação) está prestes a ser rejeitado
pela Câmara dos Deputados. No ano passado, a Comissão
de Trabalho, Administração e Serviço Público
rejeitou, por unanimidade, a proposta. Agora, o relator da matéria
na Comissão de Finanças e Tributação,
deputado Pepe Vargas (PT-RS), disse ao Valor que dará parecer
contrário ao projeto.
0 projeto de lei complementar 549/2009, que limita o aumento
dos gastos com pessoal em 2,5% ao ano (além da correção
da inflação), está prestes a ser rejeitado
pela Câmara dos Deputados. No ano passado, os integrantes
da Comissão de Trabalho, Administração e
Serviço Público votaram, unanimemente, contra a
proposta. Agora, ela será apreciada pela Comissão
de Finanças e Tributação e o relator da
matéria, Pepe Vargas (PT-RS), disse ao Valor que dará um
parecer pela rejeição do projeto.
A limitação para o aumento das despesas com servidores
foi defendida pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior,
e pelo secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.
A medida faz parte de uma estratégia fiscal de longo prazo,
cujo objetivo é garantir a sustentabilidade das contas
públicas e abrir espaço para a ampliação
dos investimentos e preservação dos gastos na área
social.
Em recente entrevista ao Valor, o secretário Augustin
defendeu a inclusão, no mesmo projeto, de um artigo para
também limitar o aumento dos gastos de custeio administrativo
(diárias, passagens, terceirização, reformas,
etc) em 2,5% além da inflação. Augustin
considera que esse é "um debate estratégico
e de longo prazo".
Mas não é o que pensa a base de sustentação
política do governo. Em janeiro de 2007, o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou um projeto de lei
complementar propondo essa limitação dos gastos
de pessoal. A diferença é que o limite era de 1,5%
ao ano mais a inflação. Até hoje, o projeto
não recebeu sequer parecer e foi esquecido em alguma gaveta
da Câmara dos Deputados.
Em 2009, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR),
articulou um projeto com a mesma matéria, mas com um limite
de 2,5% ao ano, além da inflação. Este critério
valeria por dez anos. No projeto, Jucá acrescentou um
artigo que limita as despesas com obras, instalações
e projetos de construção de novas sedes, ampliações
ou reformas da administração pública. Essas
despesas não podem exceder, em valores absolutos, a 25%
dos percentuais estabelecidos para despesas com pessoal de cada
poder, na União, Estados e municípios. O projeto
de Jucá, com o apoio dos líderes da base aliada,
foi aprovado por unanimidade pelo Senado.
Ao chegar na Câmara dos Deputados, o projeto recebeu parecer
contrário do deputado Luiz Carlos Busato (PTB-RS), que
foi o relator da matéria na Comissão de Trabalho,
de Administração e Serviço Público,
ainda em 2010. Busato alegou que a despesa da União com
pessoal se manteve estável de 2002 a 2009, tendo passado
de 31,88% da receita corrente líquida (RCL) para 31,33%,
nesse período, muito abaixo do limite máximo de
50% da RCL previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Segundo ele, esse resultado apresenta "plena sintonia com
os princípios e os limites que norteiam a gestão
fiscal responsável".
Em seu parecer, Busato diz ainda que o limite proposto "praticamente
congelará nos próximos dez anos a remuneração
dos servidores e dificultará, sobremaneira, o preenchimento
de cargos, novos ou vagos" dos três Poderes e do Ministério
Público da União (MPU). Ele lembrou que estão
tramitando no Congresso projetos que reajustam os salários
dos servidores do Judiciário e do MPU, que "seriam
inviabilizados" com a aprovação do limite
para gastos com pessoal.
A ex-deputada Luciana Genro (PSOL-RS) chegou a redigir um parecer
pela rejeição do projeto, quando ainda era a relatora
da matéria na Comissão de Finanças e Tributação.
No parecer, a ex-deputada citou uma publicação
da Coordenação Nacional das Entidades dos Servidores
Federais (CNESF), que considera que a proposta "congela
os salários dos servidores públicos por dez anos,
impede novos concursos públicos para reposição
de pessoal e reduz drasticamente os gastos com investimento na
administração pública".
Como não foi reeleita, a ex-deputada Luciana Genro foi
substituída pelo deputado Pepe Vargas na relatoria do
projeto. Em conversa com este colunista, Vargas disse que o Brasil
já tem um arcabouço jurídico que impede
a gestão pública irresponsável, numa referência à LRF
e a todo o ciclo orçamentário, constituído
pelo Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA). Ele disse
que já existem limites para os gastos com pessoal e que
qualquer projeto que aumente essa despesa precisa ter adequação
orçamentária e constar do anexo cinco da lei orçamentária,
o que envolveria uma análise criteriosa e aprovação
do Congresso.
Para o deputado petista, o governo terá que decidir se
concede ou não reajuste aos servidores nos próximos
anos e que essa matéria não pode ser disciplinada
em lei. "Ninguém vai disciplinar em lei a arte de
governar", afirmou. "Em determinado momento, o governo
pode ter necessidade de reajustar os salários de determinada
categoria ou contratar mais servidores", acrescentou. Para
exemplificar, Pepe Vargas informou que há uma proposta,
que está sendo construída desde 2009, de criar
uma agência da Previdência Social em cada município
com mais de 20 mil habitantes, o que envolveria a contratação
de novos servidores. Ele citou também a expansão
da rede de ensino, que necessitará de mais professores.
Vargas disse que o projeto cria um ambiente de insegurança
para o servidor e um conflito entre o governo e o funcionalismo. "O
governo não tem nada a ganhar com isso", avaliou.
Ele disse que não recebeu nenhuma indicação
do governo de que tem interesse na aprovação do
projeto. "Não ouvi a presidente Dilma dizer que esse
projeto é importante para o governo", observou.
Autor(es): Ribamar Oliveira
Valor Econômico -
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