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Avaliação
de desempenho para os trabalhadores da Saúde 23/02/2011
No Seminário “Avaliação de Desempenho
na Saúde”, organizado pelo Departamento de Saúde
do Sinsprev/SP, em 29 de janeiro de 2011, foi realizada uma análise
de todo o processo de sucateamento do setor público brasileiro,
principalmente o da Saúde.
O seminário contou com a presença dos servidores
federais, estaduais e municipais, da Fenasps, do Sinsprev/RJ
e da CSP-Conlutas.
Foi lembrado que quando da implantação da avaliação
de desempenho no INSS, o governo utilizou da mesma retórica
dos benefícios salariais para atrair os servidores, porém,
passados dois anos, um dos principais resultados dessa avaliação
produtivista pode ser retratado nos inúmeros casos de
adoecimento, decorrentes do assédio moral praticado pelas
chefias, cujo único objetivo é cumprir metas inatingíveis,
mesmo que em detrimento da qualidade do atendimento à população
e à saúde do trabalhador.
Avaliação na Saúde
A avaliação produtivista para os trabalhadores da Saúde
federal foi implantada em janeiro de 2011, por meio da Portaria 3.627/2010,
mesmo sem a edição da instrução normativa para
especificar os pontos não contemplados nessa portaria.
Esse primeiro ciclo de avaliação será de
janeiro a junho. Nos anos seguintes a proposta é que seja
de julho a julho.
Segundo a portaria, dos 20 pontos a serem avaliados, a maior
parte, 12 pontos, caberá as chefias. A outra, oito pontos,
será definida pela auto avaliação e pela
equipe de avaliação, que sequer foi formada.
Designar as chefias como as responsáveis pelo maior índice
da pontuação da avaliação poderá trazer
incontáveis prejuízos a remuneração
dos servidores. É do conhecimento de todos que no serviço
público a escolha de uma significativa parcela dos ocupantes
de cargos é realizada sem levar em conta as condições
técnicas. A indicação política na
administração pública é uma prática
reconhecida nesse país.
É no mínimo preocupante colocar indicados políticos
como responsáveis diretos pela variável salarial
e até mesmo exoneração dos servidores. A
experiência em outros setores prova que uma parcela considerável
dos ocupantes de cargos de chefia não tem competência
técnica para avaliar o trabalho desenvolvido por um servidor,
além de, em muitos casos, essas avaliações
serem norteadas meramente pelas relações pessoais,
não levando em consideração o trabalho desenvolvido
pelo funcionário. A avaliação produtivista,
da forma como está sendo imposta aos servidores públicos, é claramente
um instrumento institucionalizado para a prática do assédio
moral.
Outro complicador é o fato de haver projeto prevendo
que após duas avaliações insuficientes subsequentes
ou três intercaladas o servidor público poderá ser
exonerado. Obviamente é previsto o direito ao recurso,
porém o projeto é muito subjetivo quando faz referência
a esse direito do servidor.
Cedidos
Um dos principais desafios é o de como será a avaliação
dos servidores cedidos. A realidade imposta pelo governo para sucatear ainda
mais o SUS e justificar a privatização da Saúde Pública,
por meio de OSs – Organizações Sociais, e Fundações
Estatais, colocou os servidores públicos federais da Saúde numa
situação inigualável se comparada ao resto do funcionalismo.
Os cedidos, embora sejam trabalhadores públicos federais
concursados, estão submetidos aos estados, municípios
ou a terceirizadas (Organizações/Fundações
privadas). Isso por si só já tem criado inúmeras
dificuldades e contrassensos. A avaliação de produtividade
será mais um fator agravante para esses trabalhadores.
Um dos desafios para a implantação da avaliação
de produtividade é saber quem avaliará o servidor
cedido. Será o gestor? O mesmo que por via de regra impinge
situações constrangedoras a esses trabalhadores,
inclusive colocando-os à disposição, obrigando-os,
sem maiores explicações, a procurarem novo local
de trabalho?
Outro contrassenso da avaliação produtivista
na administração pública federal - e que
será reforçado na área da Saúde - é que
apenas o trabalhador da ponta é avaliado.
As chefias não são submetidas ao mesmo processo,
muito menos os gestores das unidades onde trabalham os cedidos.
O governo, ao usar esse recurso, age como se apenas o servidor “do
baixo escalão” fosse o responsável pela má qualidade
do serviço prestado. As chefias, os administradores, a
falta de recursos e, principalmente, o próprio governo
não se submetem a qualquer tipo de avaliação.
O servidor que trabalha diretamente com a população é usado
como escudo para encobrir as mazelas provocadas pelos verdadeiros
responsáveis.
Outro ponto alarmante é que o governo, mais uma vez, tratou de forma
diferenciada os iguais. Os aposentados continuarão a receber apenas
50% do que é pago aos ativos.
Histórico
Desde 2001 as entidades representativas e os servidores conseguiram evitar
a avaliação de desempenho para a Saúde federal, porém
nas duas últimas reuniões da mesa negocial, o governo apresentou
que uma das exigências do PAC da Saúde é a avaliação
produtivista e, ironicamente, afirmou que sua implantação qualificaria,
valorizaria e aumentaria o salário dos trabalhadores do SUS, porém
dos mais de 200 projetos previstos no lançamento do PAC da Saúde,
em 2008, até o momento apenas nove foram colocados em prática.
A crise mundial iniciada em 2008 trouxe consequências
sérias para o Brasil. Uma das formas de tentar encobri-la
e demonstrar a “atuação” do governo
foi, novamente, utilizar o trabalhador como bode expiatório.
Para tanto o governo desenterrou o PLC 248/1998 da era Bresser
Pereira, responsável pela reforma administrativa da época
e fortemente combatida pelo PT. As avaliações produtivistas
que estão sendo implantadas nos mais diversos setores
da administração federal fazem parte daquela reforma
administrativa e têm como um dos principais objetivos a
criação de ambiente para permitir a demissão
de servidores.
Acoplado a avaliação produtivista está uma
das mais prejudiciais heranças deixadas pelo governo Lula,
o Projeto de Lei 549/2009. Caso seja aprovado pelo Congresso
Nacional, o funcionalismo público federal ficará dez
anos sem reajuste salarial. A recém empossada presidente
Dilma Rousseff já declarou que este é um momento
de austeridade, referindo ao salário dos servidores. Fonte: Sinsprev |