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Funcionalismo em Alerta
Vilson Antonio Romero*
Desde 1939, oficialmente, o dia 28 de outubro é dedicado
ao funcionário público como uma data comemorativa
de relevante significado no calendário brasileiro, pelo
menos para o expressivo contingente de trabalhadores do setor
público.
O fundamento legal está no artigo 266 do Decreto 1.713,
de 28 de outubro de 1939, que dispõe sobre o Estatuto
dos Funcionários Públicos Civis da União: "O
dia 28 de outubro será consagrado ao ‘funcionário
público'".
Milhões de brasileiros, nas diversas esferas de poder,
que contribuem e servem ao Estado e, em especial, à sociedade,
nos mais diferentes setores de atuação, no seu
dia, às vezes conseguem parar um pouco para refletir sobre
seus horizontes como funcionários e cidadãos. Isto
apesar das muitas mudanças que levam pra cá e pra
lá o dia, com antecipações ou postecipações
do ponto facultativo.
Estamos ás vésperas de um ano de campanha eleitoral,
onde, por tradição e necessidade de afago nos eleitores,
alguns governantes federais ou estaduais abrem um pouco sua guarda
na tarefa de contenção das despesas com o funcionalismo.
Diante disto, há inúmeros movimentos reivindicatórios
em marcha, ou sendo alinhavados, objetivando consolidar conquistas
ou recuperar perdas salariais, ainda e por derradeiro no próximo
ano.
Por quê? Uma das razões é que, ressalvadas
as restrições da legislação, num
ano de campanha eleitoral podem ser bem sucedidos pleitos que
há muito tramitam, ou novos projetos que recebam a simpatia
ou a pressão de quem possui a caneta para tanto e é candidato
ou defensor de alguma candidatura.
Por outro lado, o ano inicial dos Governos sempre se prenuncia
como preocupante, principalmente no Brasil, onde se consolidou
o paradigma oficialesco de que, entre poucas alternativas, cortar
a folha de servidores impulsiona a solução dos
desequilíbrios nos cofres públicos.
Porque também, depois de eleitos, ocupantes de palácios,
Brasil afora, mudam a tática. A ordem, normalmente, passa
a ser a conjugação em todos os tempos dos verbos
cortar, reduzir, desonerar, demitir, reformar, etc...
A imprensa nacional já sinalizou com uma séria
advertência - para os servidores - nesta direção.
O jornal Valor Econômico escreveu dia destes:
"O grupo de trabalho criado pelo PT para elaborar o programa
de Governo da candidata à Presidência Dilma Rousseff
estabeleceu ontem quatro grandes diretrizes de trabalho: um Plano
Nacional de Desenvolvimento, (...); uma abordagem de continuidade
dos programas sociais (...); uma análise sobre a política
institucional brasileira, incluindo uma proposta para tornar
o estado mais ágil e a sociedade mais democrática
e participativa; e um último ponto, mais amplo, tratando
de questões diversas, como violência, juventude
e cultura".
Segundo o assessor especial da Presidência para assuntos
internacionais e coordenador do grupo de Trabalho, Marco Aurélio
Garcia, o grande desafio é montar um plano de ação
que mostre o que será feito (...)
O petista apontou uma das principais críticas feitas à atual
gestão e que, segundo ele, soa vaga no debate público:
o tamanho do Estado brasileiro. (...) Segundo o assessor especial,
a ideia é trabalhar em cima de uma reforma administrativa
que "torne o Estado mais eficiente e profissional".
Leram, caros servidores? Já há uma outra quimera
no ar: reforma administrativa sendo orquestrada entre a equipe
de um dos candidatos favoritos a conduzir o país no quadriênio
2011/2014.
Sem sombra de dúvidas seus opositores devem estar tratando
de assuntos assemelhados: reformas, reformas, reformas... Em
quanto reformas tributária e política, fundamentais
e necessárias, não encontram espaço, os
medos dos servidores se avolumam.
Sempre os primeiros anos de quaisquer Governos, principalmente
os últimos no Brasil, foram marcados por reformas midiáticas
que atingiram servidores públicos, trabalhadores da iniciativa
privada e aposentados.
Nunca veio - e não virá - algo que melhorasse
a vida, o salário, as condições de trabalho
dos trabalhadores, seja da iniciativa privada ou do setor público.
Quando se trata de reformas administrativas e previdenciárias,
nunca houve isto.
Estas reformas sempre foram e serão restritivas e castradoras
de direitos, vantagens e conquistas. Não quero ser o arauto
do apocalipse ou das nuvens negras no horizonte neste 28 de outubro,
mas devemos ficar alertas. E fazermos tudo para melhorar, recuperar
e consolidar o que for possível ainda em 2010, pois. Para
2011 o cenário é deveras preocupante, seja o Governo
que for!!!
(*) Jornalista, servidor público, diretor da Associação
Riograndense de Imprensa e presidente da Delegacia em Porto Alegre
do Sindifisco Nacional.
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