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AGU estende paridade da gratificação aos inativos e pensionistas
do PGCPE
A Advocacia-Geral da União (AGU) permitiu que aposentados
e pensionistas recebam uma gratificação no mesmo
valor dos servidores ativos do Poder Executivo referente ao período
de julho de 2006 a janeiro de 2009, mês em que foi extinta.
A determinação do órgão vai na contramão
da orientação do governo, que não aceita
conceder tratamento igualitário entre quem ainda trabalha
e os dependentes da Previdência Social. Essa decisão
poderá beneficiar cerca de 195 mil ex-servidores a um
custo total de R$ 1,8 bilhão pelos 29 meses em que o bônus
foi pago.
O pessoal da ativa recebeu 80% do valor máximo da Gratificação
de Desempenho de Atividade Técnico Administrativa e de
Suporte (GDPTAS) enquanto ela existiu e os aposentados, só 50%.
Mas a AGU editou uma súmula para permitir que os inativos
também possam ter direito ao teto do benefício
retroativamente. A decisão foi tomada depois que os interessados
passaram a buscar a paridade na Justiça. O custo total
de R$ 1,8 bilhão diz respeito à diferença
entre o prêmio recebido pelos ativos e o embolsado pelos
aposentados, que foi de 30 pontos percentuais.
A gratificação por desempenho foi instituída
em julho de 2006 e extinta em janeiro de 2009. Nesse período,
o governo pagou 80% do seu valor, visto que alguns dos critérios
de avaliação ainda não tinham sido regulamentados.
Na transição para o novo regime, em que um bônus
diferente começa a vigorar neste mês, os servidores
receberam entre R$ 440 e R$ 1.400, pois a avaliação
de desempenho ainda não havia sido definida. A partir
de agora, o adicional passará a ser de 100%, dependendo
da qualificação do servidor e do cumprimento de
metas. O valor ficará entre R$ 550 e R$ 1.750.
A AGU editou a súmula para que o tratamento passe a ser
igualitário. Com isso, os aposentados vão gerar
um passivo aos cofres públicos de cerca de R$ 800 milhões,
enquanto os pensionistas representarão um custo em torno
de R$ 1 bilhão. Esse é o pagamento total a que
eles terão direito nos meses em que a gratificação
antiga vigorou.
Os inativos de nível intermediário representarão
o maior peso aos cofres da União. No total, 149 mil ex-funcionários
públicos e pensionistas dessa categoria deverão
receber cerca de R$ 1,4 bilhão, o equivalente a 77% do
custo total. Segundo o Ministério do Planejamento, existem
quase 81 mil aposentados e 114 mil pensionistas no Plano Geral
de Cargos do Poder Executivo, que dá direito à gratificação
por desempenho.
Transição
A súmula, assinada pelo advogado-geral da União,
Luiz Inácio Adams, e publicada no Diário Oficial
da União na segunda-feira, prevê que “a regra
de transição que estabelece o percentual de 80%
do valor máximo da gratificação, a ser paga
aos servidores ativos, será estendida aos inativos e pensionistas
até a regulamentação”. A decisão
da AGU foi tomada com base em entendimentos do Superior Tribunal
de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, que haviam reconhecido
o direito à paridade. Com isso, a União desistirá de
contestar ações de ex-servidores e de recorrer
de decisões já favoráveis na Justiça.
A Secretaria-Geral de Contencioso da AGU esclareceu que caberá ao
Ministério do Planejamento decidir se os pagamentos serão
integrais ou parcelados. A assessoria do ministro Paulo Bernardo
informou que vai analisar a medida. Repetidas vezes, Bernardo
tem dito ser contrário às decisões judiciais
que estipulam a paridade entre os benefícios de ativos
e inativos.
A orientação do governo é rejeitar a igualdade
salarial para não criar castas de privilégio e
distorções no sistema. Essa linha tem sido seguida
nas discussões sobre o reajuste do salário mínimo
tanto no Congresso como no Palácio do Planalto. Os aposentados
que ganham mais de R$ 510 querem a aplicação do
mesmo aumento de trabalhadores que recebem o mínimo. Sob
o argumento de que é preciso valorizar o menor salário
dos brasileiros e não aumentar ainda mais a diferença
entre as classes sociais, a equipe econômica rejeita a
proposta.
Efeito cascata
O secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores
no Serviço Público Federal (Condesef), Josemilton
Costa, comemorou a edição da súmula da Advocacia-Geral
da União (AGU). `A decisão vai corrigir uma injustiça
com os pensionistas`, afirmou. Ele assegurou, porém, que
a decisão criará um efeito cascata e se estenderá até março
deste ano e não até janeiro de 2009, como argumenta
o Ministério do Planejamento. A Gratificação
de Desempenho de Atividade Técnico Administrativa e de
Suporte (GDPTAS) foi extinta pela Lei n° 11.784, de 2008.
Com outro nome, o adicional permaneceu até março
deste ano, quando passou a vigorar a regulamentação
das metas, conforme mostrou reportagem do Correio no domingo.
Agora, servidores de 48 carreiras terão de atingir objetivos
fixos para receber o bônus atrelado ao salário mensal.
(TP)
Dívida reconhecida
Na segunda-feira, a Advocacia-Geral da União (AGU) editou
uma súmula que permite a aposentados e pensionistas receberem
o mesmo valor de gratificação que os da ativa.
Percentual máximo
Os servidores inativos receberão 80% do total da Gratificação
de Desempenho, o mesmo dos ativos. Antes, eles tinham direito
a 50% do valor que varia de R$ 550 a R$ 1.750, dependendo da
qualificação do profissional.
Profissionais
Dentro do Plano Geral de Cargos do Poder Executivo, existem 80.609
aposentados e 114.923 pensionistas que poderão ter direito
ao benefício.
Valores
O custo desse extra para a União será de R$ 26,7
milhões por mês aos aposentados e R$ 35,8 milhões
aos pensionistas.
Maior custo
O peso maior mensal aos cofres públicos serão com
aposentados e pensionistas de nível intermediário.
No total, deverão ter direito a receber cerca de R$ 49
milhões.
Governo
O Ministério do Planejamento analisará a súmula
da AGU para determinar se é inócua ou válida.
O governo também contesta a paridade entre ativos e inativos
nos benefícios.
Autor(es): Tiago Pariz
Correio Braziliense - 23/04/2010 |